Fotógrafo expõe Caleidosfotos na usina cultural Energisa - WSCOM

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Artes

18/04/2011


Fotógrafo expõe Caleidosfotos

infogravuras

Foto: autor desconhecido.

O fotógrafo e artista paraibano, Fábio Passarini, ou melhor, Bita, como era carinhosamente chamado pelos amigos e familiares, fez da montagem fotográfica (infogravuras) uma extensão de seus desenhos, utilizando os ângulos da arquitetura de Brasília – onde viveu muitos anos –, fragmentos de uma memória visual da cidade linear e orgânica que viu crescer. E daí surgiu sua série Caleidosfotos.

Sobre esta série, o arquiteto, Hélio Costa Lima, explica: “a justaposição de imagens em busca de novos resultados é um recurso artístico muito utilizado pela Pop Art desde os anos 60, particularmente por Andy Warhol. No Brasil, Athos Bulcão, com seus painéis e murais, e Aloísio Magalhães, com seus “cartemas”, são nomes ligados a esse interesse de criação de formas estruturadas a partir de imagens refletidas, repetidas, invertidas… O trabalho de F. Passarini é tributário dessa escola. Sua singularidade, portanto, não consiste na técnica, mas na qualidade intrínseca das imagens a que chega, num jogo de espelhamento gráfico de uma imagem-célula geradora.

Suas Caleidosfotos de Brasília, não se reduzem a uma leitura da arquitetura da cidade, mas uma recriação da cidade, de uma nova cidade. A partir de um fragmento arquitetônico, um fractal, módulo reiterável, refletido, justaposto, repetido, ele constrói novos sistemas harmônicos, novas ordenações arquitetônicas de impressionante beleza.”

Ainda adolescente Bita sempre desenhava com grafite, nanquim, caneta Bic ou o que tivesse à mão. Depois, no computador e com a máquina fotográfica e as possibilidades de digitalizar as imagens, abriu-se também um universo de criação, resultando numa obra peculiar, parte de um acervo deixado pronto à espera do melhor momento para ser mostrado ao público.

Embora falecido precocemente, nos deixou produção gráfica de rara beleza e que, certamente, surgiu de todo o “convívio” com os signos da Itacoatiara do Ingá, as curvas e retas da Serra da Borborema e a caótica profusão de cores, sons e odores da Feira de Campina Grande, sua terra natal.

Uma seleção de suas experimentações é o que será apresentado nesta mostra concebida pela Usina Cultural Energisa como singela homenagem a este filho pródigo.

O artista

Fábio Passarini de Gusmão

Campina Grande-PB, 1960 – Brasília-DF, 2006.

Fotógrafo e artista plástico. Autodidata. Aos 7 anos foi morar em Brasília, mas, retornou à Paraíba (João Pessoa), onde viveu por 10 anos (1986-96) trabalhando com serigrafia e fotografia, tendo participado, em 1993, do grupo de fotógrafos Traficantes de imagens. Em 1984 expôs seus primeiros trabalhos, em cerâmica, em Rio da Ostras-RJ, onde também viveu. Em 2003 foi selecionado para o Salão de Arte do Iate Clube de Brasília. Após seu falecimento, foram realizadas as mostras: Brasília recriada em Caleidosfotos (Restaurante Camarão & Cia, Café com letras, Brasília, 2007; e, Villa Millagro, Brasília, 2010), com o lançamento de cartões postais da série Caleidosfotos. No XII Festival Nacional de Arte-Fenart foi apresentada, em slideshow, a exposição O olhar de Bita (Funesc, João Pessoa, 2008).

http://fpassarini.blogspot.com
 

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