Filho de João Donato reforça cena musical LGBT como a tecladista Natasha Oliver - WSCOM

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Música

21/05/2018


Filho de João Donato reforça cena musical LGBT como a tecladista Natasha Oliver

"A Natasha é como se fosse meu alter ego. É uma extensão de mim. Só que é uma outra persona"

Foto: autor desconhecido.

Tecladista carioca que já tocou e gravou com alguns dos maiores nomes da música brasileira, João Donato de Oliveira traz na certidão de nascimento lavrada em 1985 o nome do pai, João Donato, pianista e compositor acriano nascido em agosto de 1934. Contudo, a partir deste primeiro semestre de 2018, Donatinho – como o artista de 33 anos é carinhosamente chamado no meio musical – também atende pelo nome de Natasha Oliver.

Orgulhosamente apresentada pelo criador como “a primeira tecladista drag do Brasil”, Natasha Oliver – em foto de Jenner – reforça a cena musical LGBT, alicerçada nos últimos anos pelo sucesso de artistas como Liniker e Pabllo Vittar. Por ora, a drag entrou literalmente em cena e em ação somente em apresentações de DJs como Papagaio e Vivi Seixas. Mas Donatinho já cogita a possibilidade de lançar um trabalho autoral ou de montar uma banda como Natasha Oliver.

“A Natasha é como se fosse meu alter ego. É uma extensão de mim. Só que é uma outra persona. Ela tem atitude diferente, comportamento diferente, mas a essência é a mesma. Tanto que ela é tecladista, assim como eu”, caracteriza Donatinho, em depoimento para o blog.

Natasha Oliver veio ao mundo no Carnaval neste ano de 2018, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Donatinho é um dos puxadores do Bloco da Gravata Florida, criado para tocar o cancioneiro do compositor carioca Jorge Ben Jor em ritmo de Carnaval. Neste ano, Donatinho puxou o bloco travestido na pele de Natasha, pela primeira vez. “Ela fez o maior sucesso e eu tive a ideia de levar a performance adiante. A minha madrinha, Karina Scursa, me incentivou a fazer a coisa acontecer. Karina me ajuda muito com a maquiagem, produção, coisas assim…”, credita Donatinho.

Com álbum solo Zambê (2014) lançado há quatro anos, Donatinho tem consciência de que a aparição de Natasha Oliver na cena nacional é também um ato político. “Sempre fui muito ligado na causa LGBTQ e a Natasha, além de ser uma realização pessoal de fazer algo que me dá prazer, ainda ajuda a defender a causa. Primeiro porque é não é comum ver homens heteros performando como drag e, mais do que isso, o meio musical é o mais machista e preconceituoso dentre os ramos da arte. Acho que nós artistas de certa forma temos o dever de quebrar tabus e barreiras, abrindo a cabeça das pessoas. Ainda mais hoje em dia, pois vivemos num mundo com intolerância e preconceito por todos os lados”, pondera, com razão.

A caminho dos 84 anos, a serem completados em agosto, o sempre antenado João Donato, o pai, ainda nem sabe sobre a personagem drag do filho. Já a mãe, a pianista de jazz Shirley Alves de Souza, não somente sabe como apoia a iniciativa. O futuro de Natasha Oliver está garantido.

G1

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