FHC diz temer que crise chegue a ponto sem retorno - WSCOM

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Brasil & Mundo

28/08/2005


FHC diz temer que crise

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou em entrevista ao jornal argentino Clarín que a oposição está muito preocupada que a crise política chegue a um ponto sem retorno. “Espero que Lula não renuncie. Isso seria péssimo para todos”, disse na entrevista publicada hoje pelo diário portenho. “Meu partido, o PSDB, jamais falou em impeachment porque sabemos o custo que pode ter um processo dessa natureza”.

Segundo o ex-presidente, “o mais provável é que o governo chegue até seu final, mas chegará mal porque existe perda da confiança”. O ex-presidente considera que seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, “já não governa há tempos. Não tem agenda, não inova, não propõe nada”. Segundo FHC, Lula não governa “há um ano”. Portanto, afirma, “nada o impede de continuar outro ano e meio no Planalto”.

O sintoma mais evidente de que o governo do PT havia perdido o controle das forças políticas foi quando elegeram Severino Cavalcanti como presidente da Câmara de Deputados, explica. FHC delimitou a abrangência da crise, sustentando que não existe “crise social nem pressão social descontrolada e a economia continua funcionando. As exportações andam bem, há problemas de taxas de juros e de ritmo de crescimento, mas não existe um fator de desarticulação ou de caos. Eu diria que a crise se delimita à política institucional. Ou seja, há problemas dentro do governo e em sua relação com o Congresso e o País”.

Sobre a influência do PT no futuro, o ex-presidente considera que “ainda é cedo para avaliar se o partido continuará no futuro como articulador de setores importantes da sociedade ou se já perdeu essa capacidade. Isto me preocupa mais do que o ano e meio que resta ao governo”.

FHC disse que sua preocupação está focalizada no fato de que o sistema de organização de poder no Brasil está baseado no PT e no PSDB. “Ao redor desses dois partidos aglutinam-se as outras forças, e isso permite a alternância. Se o PT perder essa capacidade como pólo de alternância, não há partidos que possam preencher esse espaço. Pode então abrir-se um caminho populista em função disso e da pobreza, ou, porque não há condições de satisfazer todo mundo”.

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