Ex-refém das Farc pede apoio de Lula para libertar Ingrid Betancourt - WSCOM

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Internacional

02/05/2008


Ex-refém das Farc pede apoio



Lecompte pede ao governo brasileiro ações mais efetivas

A pressão para que o Brasil tenha uma participação mais ativa no processo para a libertação da senadora Ingrid Betancourt, em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde 2002, voltou a ser feita pelos grupos envolvidos na questão. Na tarde desta sexta-feira (2), em entrevista coletiva em São Paulo, o senador Luis Eladio Perez, que foi refém das Farc por seis anos, pediu diretamente que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intervenha junto aos guerilheiros colombianos.

“Gostaríamos que o presidente Lula, que vem de uma esquerda

renovadora, tivesse um papel protagonista. Ele tem autoridade política e moral para isso (a libertação de Ingrid e dos outros seqüestrados)”, afirmou Perez.

“Com essa vontade política, esperamos que logo este assento seja ocupado por Ingrid”, completou o senador, presente ao II Global Greens, evento que reúne ambientalistas, ativistas e políticos de diversos países ligados ao que corresponderia no Brasil ao Partido Verde (PV), na Zona Oeste de São Paulo.

Perez estava acompanhado do marido de Ingrid Betancourt, o publicitário Juan Carlos Lecompte. Quando foi seqüestrada, Ingrid era pré-candidata à Presidência da República na Colômbia e estava filiada ao PV do país. Lecompte também voltou a pedir ao governo brasileiro ações mais efetivas. “Pensamos que pode ser muito oportuna a intervenção dele”, disse o publicitário, que afirmou ter mais esperanças de rever a mulher agora do que há um ano.

O otimismo é resultado da libertação de seis reféns das Farc, no início do ano. Entre eles, estava Perez e Clara Rojas, assessora que estava com Ingrid no momento do seqüestro. O senador também se mostrou otimista quanto a um possível acordo com os guerrilheiros, que mantêm os presos na selva.

Proposta – Perez contou que fez uma proposta ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, caso guerrilheiros presos pelo governo colombiano fossem liberados em troca da saída de Ingrid e de outros seqüestrados. O próprio senador levaria os integrantes da guerrilha para a França, onde entrariam em programas de inserção social financiados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, tem se mostrado bastante ativo nas conversas para a libertação de Ingrid. Segundo Perez, a proposta também teria tido o apoio do presidente venezuelano Hugo Chávez, que ajudou na libertação dos seis reféns no início do ano.

“Estamos avançando. Tenho a certeza de que há uma vontade política por parte da Colômbia, da Venezuela e da França. Esperamos que a guerrilha dê os primeiros passos para a libertação dos outros reféns”, disse o senador, que contou ter ficado em poder das Farc por “seis anos, 8 meses, 17 dias e 9 horas”.

Perez afirmou ainda ter mais esperanças de um final feliz depois que Uribe modificou o artigo de um decreto que fala sobre a libertação de pessoas presas pelas Farc. Segundo ele, a partir de agora, não é mais necessária a assinatura de um acordo prévio negociando a saída dos seqüestrados, o que agilizaria o processo. “Para mim, esse passo foi muito importante”, contou Perez.

Questionado sobre os momentos no cativeiro, disse que não iria se alongar, mas relatou que, nos inúmeros momentos de dificuldade, andou descalço um ano na selva. “Fiquei um ano sem sapatos ou botas, de castigo por ter tentado fugir”.

Ele contou que esteve com Ingrid pela última vez em fevereiro deste ano, pouco antes de ser libertado, quando a encontrou em um acampamento. “Eu a vi muito pior do que está na foto”, disse, referindo-se à imagem mais recente da senadora divulgada em outubro do ano passado. Mesmo com a saúde abalada, Perez afirmou que Ingrid, continua com seus planos de ocupar a presidência da Colômbia. “Ela tem essa aspiração política e capacitação para isso”.

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