Ex-inquilino de austríaco diz que pagou contas de luz do cativeiro - WSCOM

menu

Internacional

02/05/2008


Ex-inquilino de austríaco diz que



Austríaco que prendeu filha em porão recebe massagem durante férias na Tailândia

Um ex-inquilino de Josef Fritzl, 73, o homem que manteve a filha Elisabeth, 42, aprisionada em um porão durante 24 anos, diz ter certeza de que enquanto viveu na mesma casa pagou, sem saber, a eletricidade consumida pelos habitantes do porão.

Segundo reportagem publicada nesta sexta-feira pelo jornal de Viena “Die Presse”, Sepp Leitner é um garçom que, no início dos anos 1990, alugou por quatro anos um apartamento de 30 metros quadrados no andar de baixo da casa de Fritzl, na cidade de Amstetten.

Em entrevista ao jornal, Leitner afirma que nunca ouviu qualquer barulho suspeito, mas que chamou sua atenção as exorbitantes contas de luz, pelas quais teve uma briga com Fritzl. Apesar disso, o garçom acabou tendo de pagá-las.

Hoje, ele diz se arrepender profundamente de não ter perguntado mais, pois está convencido de que se o tivesse feito, o segredo mantido pelo dono do imóvel teria sido descoberto bem antes. Segundo Leitner, sua conta de luz correspondente a um trimestre era de 5.000 xelins austríacos (350 euros).

Na época, ele conversou com outros inquilinos e, ao comparar as faturas, deduziu que a sua não deveria passar de poucas centenas de xelins, e não só por seu imóvel ser pequeno. O garçom explica que quase não tinha eletrodomésticos, nem sequer uma máquina de lavar roupa –levava sua roupa suja para a casa da mãe– e porque ficava dias fora de casa.

Ele percebeu que, mesmo desligando todas as fontes de consumo elétrico, o medidor de luz continuava marcando. Leitner afirmou que tentou investigar as causas da conta ser alta com um técnico eletricista, mas não obteve sucesso. “Se tivesse continuado escavando até revelar o segredo das contas de eletricidade, talvez há muito tempo teria encontrado o esconderijo”.

Proibições – O garçom lembra de ter visto com freqüência Fritzl “entre 22h e 23h entrando no jardim, sempre com sacolas de compras”. De acordo com ele, os inquilinos eram proibidos de usar o grande jardim do imóvel, entrar no porão ou utilizar o terraço, e também de ter animais domésticos.

Mas, apesar disso, Leitner comprou um cachorro com a esperança de que Fritzl não descobrisse, mas o cão chamou a atenção, gerando um novo motivo para discutir com o locatário que, finalmente, o levou a deixar o apartamento. O garçom lembra que o cachorro costumava “assustar-se muito” à noite. Ele pensa agora que foi porque o animal sentia os habitantes de baixo.

Além disso, Leitner diz saber agora a razão de outro mistério: muitas vezes sumia comida de sua geladeira, e o mesmo acontecia com outros inquilinos. Eles sabiam que o dono da casa tinha uma chave que abria todos os quartos, mas não podiam imaginar que tivesse necessidade de roubar comida.

Hoje, Leitner diz ter certeza de que os alimentos desaparecidos eram levados a Elisabeth e aos três filhos que viviam com ela.

DNA – Na última terça-feira (29), testes de DNA confirmaram que Fritzl é o pai dos seis filhos ainda vivos que Elisabeth teve no período em que ficou aprisionada em um porão sem janelas, informou a polícia. Ele abusava sexualmente da filha desde que ela tinha 11 anos. Em uma das vezes que Elisabeth engravidou, ela deu à luz gêmeos, dos quais um morreu três dias após nascer.

De acordo com o chefe da Promotoria local, Peter Ficenc, citado pela Reuters, o austríaco está sendo investigado por homicídio por omissão de socorro. Ele confessou ter queimado a criança logo após ela ter morrido. Ficenc disse também que as investigações estão acontecendo por estupro, incesto e coerção.

O caso veio à tona no último domingo (27), depois de a polícia ter prendido o suspeito e encontrado o porão onde ele mantinha a filha presa.

A investigação começou quando uma das supostas filhas dos dois, de 19 anos, ficou seriamente doente e foi levada ao hospital. Os médicos resolveram, então, apelar para que a mãe da menina aparecesse para fornecer mais detalhes sobre seu histórico clínico.

Elisabeth teria sido aprisionada pelo pai no dia 28 de agosto de 1984, quando tinha, então, 18 anos. Em depoimento à polícia neste domingo, ela disse que seu pai, Josef Fritzl, atraiu-a ao porão do local em que viviam. Antes de aprisioná-la, ele a teria sedado e a algemado.

A polícia disse que uma carta escrita por Elisabeth aparentemente apareceu um mês depois de seu desaparecimento. Ela pedia aos pais que não procurassem por ela.

Filhos – Três de seus filhos, com 5, 18 e 19 anos, ficaram trancados no porão desde que nasceram e nunca viram a luz do sol. Os dois mais novos eram meninos e a mais velha, menina. As outras três crianças –duas meninas e um menino– foram criadas por Josef e sua mulher.

Segundo a polícia, Fritzl também admitiu ter queimado o corpo de uma das crianças, após ela ter morrido logo depois de nascer. Segundo a rede de TV CNN, a criança que morreu era gêmea de outra que sobreviveu.

Fritzl escondeu a entrada do cativeiro e somente ele sabia o código secreto para a porta de concreto reforçada, disseram oficiais. Algumas partes do local não tinham mais de 1,70 metro de altura.

As fotografias divulgadas na segunda-feira (28) mostram uma estreita passagem ligando os ambientes que incluiam uma espécie de cozinha, um local para dormir e um pequeno banheiro com um chuveiro. Um cano fornecia a ventilação. Havia também portas à prova de som.

Notícias relacionadas