ETA pede apoio de Espanha e França à paz - WSCOM

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Internacional

23/03/2006


ETA pede apoio de Espanha

Após declarar um cessar-fogo permanente, o grupo espanhol ETA pediu nesta quinta-feira o engajamento dos governos da França e da Espanha para que a região basca encontre uma saída democrática e pacífica para seu conflito separatista.

“A Espanha e a França devem reconhecer os resultados do processo democrático, sem nenhum tipo de interferências nem limitações”, disse um comunicado publicado no jornal basco Gara.

“A decisão que os cidadãos e cidadãs bascas adotaremos no futuro deve ser respeitada.”

O grupo disse que todos os lados devem assumir compromissos e pediu para que os governos de Espanha e França “não coloquem obstáculos ao processo democrático, deixando de lado a repressão e mostrando vontade de encontrar um saída negociada para o conflito”.

Reações – O primeiro-ministro da Espanha, Jose Luis Rodriguez Zapatero, havia reagido com cautela à decisão do grupo separatista basco ETA de declarar um cessar-fogo permanente, que entraria em vigor a partir de 0h do hordesta sexta-feira.

Zapatero disse estar esperançoso, mas afirmou que qualquer processo de paz depois de tantos anos de violência seria “longo e difícil”.

O presidente francês, Jacques Chirac, elogiou a decisão do grupo, dizendo que ela “aumenta em muito as esperanças para a Espanha e a luta contra o terrorismo”.

O ETA, que vem lutando pela independência da região basca no norte da Espanha e sudoeste da França há quase 40 anos, é responsabilizado por ataques que mataram mais de 800 pessoas. Entre elas estavam muitos policiais, juízes e políticos.

Seus militantes dizem que, agora, no entanto, querem “começar um novo processo democrático no país basco”.

O correspondente da BBC em Madri, Danny Wood, disse que o cessar-fogo pode representar os primeiros passos em direção a um processo de paz formal.

Trajetória – O ETA, classificado como um grupo terrorista pelos Estados Unidos e pela União Européia, declarou um cessar-fogo por tempo indeterminado em 1998, mas as negociações de paz fracassaram e os ataques foram retomados um ano depois.

O grupo nunca havia declarado um cessar-fogo permanente no passado. Na década de 70, ataques do grupo separatista mataram cerca de 100 pessoas ou mais a cada ano.

Mas as atividades foram diminuindo em anos recentes. O último ataque a deixar mortos foi em maio de 2003.

Alguns analistas dizem que a campanha ficou insustentável depois dos ataques ao sistema ferroviário de Madri em março de 2004, que matou cerca de 200 pessoas.

Segundo eles, a revolta generalizada contra os ataques tornou a violência um instrumento politicamente impensável para os separatistas – embora eles não estivessem envolvidos com o atentado.

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