Estudantes voltam às ruas na França - WSCOM

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Internacional

21/03/2006


Estudantes voltam às ruas na

Milhares de estudantes protestaram novamente nesta terça-feira na França contra o Contrato de Primeiro Emprego (CPE). O clima de tensão aumentou em torno de alguns colégios da região parisiense, onde foram registrados enfrentamentos, em meio a um impasse na frente política e sindical.

A greve que já afetava 50 universidades se estendeu nesta terça-feira a vários colégios em todo o país. A principal federação de estudantes, a FIDL, afirmou que 25% dos 4.370 colégios da França estavam bloqueados.

O primeiro-ministro, Dominique de Villepin, reafirmou nesta terça-feira em uma reunião com os deputados do partido majoritário UMP que descartava “retirar” ou “suspender” o CPE, como exigem seus detratores.

Sindicalistas e representantes da oposição de esquerda também pediram esclarecimento sobre as condições nas quais um manifestante foi ferido na noite de sábado em Paris. Ele ainda estava em coma nesta terça-feira.

Membro do sindicato da extrema-esquerda Sud, a vítima, um homem de 39 anos, foi gravemente ferido durante confrontos entre policiais e manifestantes durante protesto contra o CPE, em circunstâncias que suscitam versões contraditórias.

Policiais e representantes do setor educativo expressaram preocupação com o aumento da violência no departamento pobre de Seine-Saint-Denis, perto de Paris, onde foi registrada a revolta de novembro passado. Vinte e cinco dos 64 colégios públicos estavam sendo afetados pelo movimento de contestação, e oito foram fechados por medida de segurança.

“Jovens estão percorrendo as ruas em grupos para incentivar outros estudantes a se juntar a eles, e alguns não duvidam em provocar ou a saquear as lojas que estão por perto”, alertou um policial. Confrontos entre jovens e policiais foram registrados em pelo menos duas cidades do departamento de Seine-Saint-Denis: Drancy e Clichy-sous-Bois.

Milhares de estudantes foram às ruas em Paris e em outras cidades. Na capital, um grupo de vândalos armados com tacos de beisebol quebraram cerca de 50 veículos durante a marcha. A situação também está tensa em algumas universidades, onde estudantes se opõem aos bloqueios realizados por grevistas mais determinados.

Villepin lamentou que os sindicatos não queiram dialogar sobre “emendas” no CPE. Reservado aos jovens com menos de 26 anos, o CPE prevê um período de dois anos durante a qual o empregador pode demitir sem justificativa. As “emendas” estudadas pelo governo para tentar sair da crise poderiam ser realizadas nos pontos mais controvertidos, como a demissão sem motivo.

Porém, sindicatos e movimentos estudantis exigem a retirada pura e simples do CPE, e se preparam para aumentar a pressão com protestose convocação de greves para o dia 28 de março.

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