Escocês foi 'pai do futebol brasileiro', diz documentário - WSCOM

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Entretenimento

01/06/2006


Escocês foi 'pai do futebol

“O Pai Esquecido do Futebol Brasileiro”. É esse o título de um documentário que um canal de TV na Escócia exibe nesta terça-feira e que defende a tese de que o estilo criativo dos brasileiros de jogar futebol é fruto da contribuição de um jogador escocês.

No início do século passado, Archie McLean teve uma breve carreira como amador em equipes locais escocesas, como Johnstone e Ayr United. Mas, segundo o documentário, o acaso acabou fazendo com que ele levasse seu talento futebolístico para o Brasil, em 1912, quando foi transferido de seu emprego em uma empresa têxtil de Paisley, na Escócia, para São Paulo.

Incialmente, a temporada só iria durar três meses. “Mas Archie acabou ficando por quase 40 anos, onde jogou por várias equipes e chegou a atuar ao lado de Arthur Friedenreich”, conta Malcolm McLean, neto do jogador e que narra o documentário, rodado em junho do ano passado, em São Paulo.

McLean reconhece que o título do documentário “é exagerado, sem dúvida, e visava, basicamente fazer com que os escoceses assistissem ao programa”. Mas acrescenta não ter dúvidas de que que seu avô influenciou o futebol brasileiro. “Na época em que chegou ao Brasil, Archie conta que prevaleciam os lançamentos longos. Ele introduziu o que vocês brasileiros chamam de tabelinha, um estilo de jogo curto e rápido, o estilo escocês.”

Veadinho

“Ele era um jogador ágil e rápido. Não era do tipo que ficava parado, trombando com os adversários”, conta MacLean. A velocidade e a origem escocesa valeram ao meia-esquerda um inusitado apelido. “Como ele vinha da Escócia, onde há veados vivendo nas montanhas e devido à sua velocidade, eles o chamavam de veadinho”.

O bem-humorado McLean, um escocês de Glasgow que cresceu no Brasil e viaja ao país a cada dois anos, frisou que o apelido do avô não tinha caráter pejorativo.

O documentário mostra que, ao chegar ao Brasil, o escocês atuou pelo time da fábrica em que trabalhava, os Scottish Wanderers, próxima ao bairro em que morava, o Ipiranga.

Depois disso, ele atuou apenas uma partida pelo São Paulo Athletic Club, passando em seguida para o Sport Club Americano e, por fim, para o São Bento. Mas o momento áureo do meia escocês foi junto à equipe do Americano, que representou o Brasil em uma partida contra a Argentina, em 1913.

“Na época, era difícil montar uma seleção nacional em um país tão grande como o Brasil. Mas se considerarmos a equipe como sendo o equivalente ao time nacional, poderíamos dizer que Archie foi o único estrangeiro a jogar pela Seleção Brasileira”, conta o neto do jogador.

McLean nasceu em 1886 e se dedicou aos esportes ao longo de toda a sua vida. “Ele nunca quis, por exemplo, se tornar um treinador. Quando parou de jogar na linha, virou goleiro. E quando morreu, em 1971, de câncer, ele ainda estava bem em forma, pois sempre jogava golfe”, conta seu neto.

O documentário desta terça-feira, que vai ser exibido pelo canal Stv às 19h30 (15h30 em Brasília), não é o único projeto a ser realizado sobre o meia escocês. “Está nos planos um livro sobre ele e há também outro documentário que deve ser lançado em 2007, com narração de Sean Connery”, conta Malcolm McLean.

O neto do ecocês que “inventou” a tabelinha diz que o programa desta terça deve atrair um bom público na terra do avô, por uma questão de ligação afetiva. “Na Escócia, todo mundo vai torcer pelo Brasil na Copa do Mundo. Eu também. Até espero que a Inglaterra vá bem na competição, quem sabe chegue até à final do torneio. Mas se isso acontecer, torço para que os ingleses fiquem com o segundo lugar”, disse.