'A empatia política com a misoginia na Paraíba', por Andrea Bezerra Cavalcanti - WSCOM

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Política

06/04/2019


‘A empatia política com a misoginia na Paraíba’, por Andrea Bezerra Cavalcanti

Foto: Reprodução

Nesta semana, um delegado da polícia da Paraíba foi execrado na web e exonerado da função, quase simultaneamente. A motivação foi um texto escrito por ele, onde ele qualifica “todas as mulheres petistas, sem exceção” de “raparigas e rodadas”. Ele exalta as conquistas da independência financeira e sexual feminina, como quem mescla elogios e estereótipos, de forma grotesca.

O delegado alega licença poética, já que, costumeiramente, escreve “crônicas de teor erótico”. No entanto, usa nomes e personagens reais (para legitimação do discurso), como o da vereadora Sandra Marrocos, a mesma que manifestou e protocolou um voto de repúdio na Câmara dos vereadores de João Pessoa, e entrará com uma representação na Secretaria de Segurança e Defesa Social, contra o policial. Na casa, somente dois vereadores, tidos conservadores, se opuseram.

Vale a reflexão: numa ocorrência de violência doméstica ou estupro, um delegado misógino teria competência para exercer sua função na segurança pública ? Quantas mulheres sofrem caladas diversos tipos de violência por medo de impunidade ou vergonha de serem pré-julgadas?

Ora, delegado, ninguém duvida que a crônica seja um delírio de sua imaginação (carregada de frustração), anseio pelos cinco minutos de fama e, quem sabe, um cargo político.
Espero que seu texto chegue à todas mulheres paraibanas e que elas se importem, independentemente do posicionamento político. Esperamos também menos complacência dos homens com a misoginia. Esperamos, ainda, que crônicas com conteúdos eróticos, como aquela, tenha graça e deem o mesmo prazer às mulheres e não ojeriza.

Com tudo isto, a Paraíba não se omite e deixa seu recado. Ainda bem que existem mulheres atuantes, que delegam pelas mulheres e não se calam, no nosso estado. A militância feminina luta incessantemente por ampliar essa presença e representatividade. Esta rotulação depreciativa da mulher militante inibe a presença feminina tão necessária aos espaços públicos.

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