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Política

01/11/2018


Em novo artigo, Professor Wilson Menezes destaca o 20° pós eleição enfrentado pelo Brasil

Foto: autor desconhecido.

O professor de economia da Universidade Federal da Bahia (UFBa), Wilson Ferreira Menezes, em novo artigo nesta quinta-feira (1°), destaca o pós eleição no Brasil, a herança dos problemas que já existiam nele e como lidar com as possíveis consequências.

Leia e confira na íntegra:

AO VENCEDOR AS BATATAS. E OS PEPINOS, É CLARO!

Por Wilson F. Menezes
Professor da UFBa

O capitão veio, viu e venceu. Recebe as batatas por direito, força, destemor e bravura. Mas herda também inúmeros problemas para os quais a sociedade foi adiando algum tipo de solução, empurrando para o futuro ou mesmo jogando embaixo do tapete. Todos guardam enormes expectativas de um novo governo, mas vamos devagar com o andor…, foram muitos anos de desgoverno cujos males encontram-se encrustados no tecido social como uma chaga inoportuna, que causa dor e sofrimento. Certamente muitos problemas serão enfrentados e solucionados, outros provavelmente não. O sucesso econômico depende dessa nova estrutura ético-moral que estamos em vias de fazer renascer. Esse renascimento dependeu da escolha ditada pelos milhões de indivíduos que povoam nosso solo gentil, ou seja, não se quer mais aturar um estamento político que se dá ao direito de tudo poder, sem comprometimento de qualquer natureza além do próprio bolso. Assim sendo, uma vitória e afastamento político dos PeTralhas (no sentido amplo, já que satélites e áreas de influência política existem) já representa algo muito substancial.

Acabou a Nova República. Mesmo que não saibamos aonde vamos aportar, sabemos que esse vinho sujo não irá mais nos embriagar. Fora PeTralhada! Esse foi o grito dos brasileiros. Mas o que virá depois da posse? O dia seguinte é claro, simples assim… Ainda não se chegou ao fim da história, e por isso mesmo não se dimensionou sua própria totalidade, de maneira que as leis da dialética tão propaladas pelos que desembarcam do poder carecem, agora mais do que nunca, de sentido em si mesmas. Dito isso, podemos dizer que não devemos constituir expectativas não alcançáveis e fortes cobranças em relação ao novo governo. Devemos, sim, ver o novo governo como executor dos nossos desejos possíveis, dentre os quais alguns serão saciados e outros nem tanto. Por isso mesmo, é importante elencarmos alguns desses nossos desejos, clamando aos novos governantes por uma conduta de ações pautada longe da degradação perversa da mentira.

Como enfrentar a oposição? As imposturas foram muitas. A PeTralhada mentiu muito (desculpem a redundância) a ponto de trapacear o jogo político. Ora, como falar de unificação da sociedade diante do fenômeno da mentira? Simples, desconsiderando a oposição que os perdedores travarão e ampliando ao máximo o desejo social, tomando a verdade como ponto de partida de uma nova conduta pública, sem truques, sem engodos, mas também não aceitando as fraudes, os logros e os dolos que os futuros opositores possam continuar a praticar. A mentira compromete a confiança e sem confiança não há democracia, não há, portanto, liberdade de agir, de ir, de vir e de escolha. Escolho, logo sou livre. A ruptura dessa regra tão simples leva ao domínio totalitário. Antes disso, que o rigor da lei seja usado. Perderam com desonra, essa é a pior derrota. Nasce dela o descrédito. Por isso mesmo, não se pode mais aceitar as falsas promessas de um mundo perfeito, quando apenas têm o inferno a entregar. Foi assim onde quer que dominaram, por que haveria de ser diferente em nosso país? Stalin viu o socialismo em um só país, Lularápio viu a santidade em uma só pessoa, ele mesmo. Assim, a melhor forma de lidar com essa falsa oposição é não a levando a sério. Precisamos, sim, é ampliar nossos cárceres, ainda há muita gente na fila, de ex-candidatos a ex-presidentes do executivo e do legislativo. Para não falarmos dos contatos imediatos de 3o grau do nosso judiciário. O país não suporta mais determinadas figuras da vida pública.

Como definir uma postura em relação à imprensa? Salvo honrosas exceções, nossos comentaristas políticos panicaram diante dos resultados das eleições. Não perceberam que as redes faziam a diferença e continuaram a servir de instrumento difusor das mentiras dos nossos representantes políticos. Mentiram também. Essa foi a eleição das famosas fake News, geradas aqui e acolá, mas sempre criminosamente difundidas, sem nenhum filtro, por uma imprensa intelectualmente nanica e comprometida com o status quo político. Um comprometimento que foi muito além dos requisitos necessários para angariar mais recursos monetários. Pobre liberdade de imprensa, quando vinculada a ideologias insanas. Globo! Bandeirantes! Folha! Veja! Saiam de seus casulos ideológicos. Deixem 1968 para trás, esse ano chegou ao fim e morreu ideologicamente. Basta uma breve análise de seus slogans, não precisa sequer analisar os sartres e marcuses, sem falar nos gramscis. Não se pode, ao mesmo tempo, render homenagens a Deus e ao Diabo, o contraditório não é ausência de posicionamento ou tudo escorrerá entre os dedos. Imprensa sem opinião livre do Estado é “secos e molhados”, quando seco fica salgado, quando molhado escorre et s’en va, travestida de agência oficial de um regime que caminhava célere para um totalitarismo. Essa imprensa não foi confiável, nem para o governo a ser empossado, nem para a população. Trump inaugurou uma excelente forma de tratar esses degenerados da informação: Feikinius, próximo!

Como estabelecer novo marco de compromisso social? Tudo pela liberdade dos indivíduos nos conformes da Lei, nada pelo Estado. Lembrando, é claro, que a liberdade de um acaba com o início do direito do outro. Direitos e obrigações são irmãos siameses. Costumes e tradições deveriam ser as únicas fontes definidoras do não permitido, tudo o mais ficaria liberado. Em nosso caso, se fez ao contrário, a lei diz o que é permitido, tudo o mais fica proibido. Faz uma enorme diferença, na medida em que limita por demais as possibilidades de ação das pessoas. Mesmo com ambiguidades e incompletudes, que podem ser revistas, claro, temos uma Constituição, logo devemos respeitá-la. Ela é a proteção da sociedade. Com base nela, não se deve jamais permitir que funções de responsabilidade da sociedade e das famílias sejam exercidas pelo Estado. Essa permissão, invertendo a natureza das coisas, é que vinha consentido aos PeTralhas a imporem práticas socialmente nocivas, tais como: a política de gênero nas escolas fundamentais e de ensino médio e a inversão de valores em que a vítima torna-se culpada já que o “culpado” passou a ser visto como uma vítima da sociedade, sobretudo quando o “culpado-vítima” tem menos de 18 anos, logo não pode responder por seus atos criminosos. No primeiro caso, originou-se uma fonte de transtornos emocionais e psíquicos de crianças e adolescentes, não raramente, sem possibilidades de retorno a uma situação de normalidade, enquanto que por meio do segundo, permitiu-se o aparecimento uma miríade de situações em que a impunidade fomenta o agravamento da violência urbana e mesmo familiar. Hoje nas nossas escolas tudo se encontra ideologicamente enviesado, tudo é visto como oriundo de uma relação de dominação, tudo passou a ser banalizado através do sexo, percebe-se sexismo até mesmo na equação de Einstein. Ainda é bom lembrar da bazófia aparelhada de professores e alunos das Universidades, onde impera um reino do não-saber, alimentado muitas vezes por fortes doses de marijuana e contestação pela contestação. Yankees, go home! Onde está meu i-Phone? Please!

Em qualquer sociedade sempre há algum tipo de dificuldade a ser resolvida, não existe sociedade sem problemas. Afinal a incerteza domina o cotidiano da vida cujo curso é, em grande parte, regido pelo acaso. Assim sendo, o grande trunfo dessa vitória eleitoral, não é o que se pode resolver no futuro, mas o que já se encontra em vias de solução no presente. A questão principal que a sociedade brasileira enfrenta hoje não é material, não é o retorno do crescimento econômicos, não é a geração de novos empregos, não é o atraso tecnológico, não são as relações internacionais. Tudo isso é importantíssimo, contudo a questão primordial é a crise ética e moral que a sociedade brasileira vem enfrentando nesses últimos anos. PeTralhas insolentes, sobrevivemos! E a sociedade brasileira acabou de reinventar a quadratura do sol. Quão virtuoso é esse povo!

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