Em nota, ex-mulher de Dirceu diz que foi usada por Marcos Valério - WSCOM

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Brasil & Mundo

01/08/2005


Em nota, ex-mulher de Dirceu

Maria Angela da Silva Saragoça, ex-mulher do deputado José Dirceu (PT-SP), divulgou nota nesta segunda-feira afirmando foi “usada” pelo publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza. “Até recentemente, antes da crise em curso, acreditava que o sr. Marcos Valério era amigo de amigos e disposto a ser solidário, como muitos que conheci no ambiente petista. Agora me dou conta que fui usada por este senhor, que tinha interesses próprios e provavelmente visava comprometer o ex-ministro José Dirceu”, disse em nota.

Maria Angela confirmou que fez empréstimo R$ 42 mil no Banco Rural e que Dirceu não teve conhecimento das transações.

O jornal “O Estado de Minas”, em sua edição de hoje, trouxe reportagem sobre a operação de crédito para a ex-mulher de Dirceu, supostamente intermediada pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, hoje investigado por evasão fiscal e fraude.

Valério foi avalista de pelo menos dois empréstimos para o partido do deputado federal. O primeiro, de R$ 2,4 milhões, foi contraído em fevereiro de 2003 no banco BMG. O segundo, de R$ 3 milhões, foi obtido no Banco Rural em maio de 2003.

Em nota distribuída à imprensa, o banco afirmou que o tamanho da operação foi de R$ 42 mil, dividido em R$ 36 parcelas “que vêm sendo pagas absolutamente em dia”. Ainda de acordo com o banco, a operação foi feita no dia 18 de dezembro de 2003, sendo o valor pago diretamente ao proprietário do imóvel. Ainda de acordo com o banco, o imóvel financiado foi utilizado como garantia da operação.

Confira a íntegra da nota da ex-mulher de Dirceu:

“Diante das informações divulgadas hoje pela imprensa, tenho a declarar:

1.No segundo semestre de 2003 procurei meu ex-marido, José Dirceu de Oliveira e Silva, para conversar sobre a necessidade de mudarmos, nossa filha Joana e eu, para um apartamento maior. Ele me disse que não estava em condições de ajudar naquele momento, colaborando na aquisição do novo imóvel ou ampliando o valor mensal da pensão.

2.Não desisti da idéia e comecei a procurar um outro emprego, com o objetivo de resolver o problema com recursos próprios. Sou psicóloga e exerço a profissão desde 1979, atendendo em meu consultório e contratada também pela Universidade Federal de São Paulo.

3.Vários dos meus amigos tinham conhecimento da situação — entre eles, o sr. Sílvio Pereira, que conheço há mais de vinte anos. Em setembro de 2003 encontrei-o em companhia do sr. Marcos Valério, a quem fui apresentada.

Conversamos sobre minha situação profissional e o publicitário mineiro se colocou à disposição para me indicar alguma empresa que eventualmente necessitasse de meus serviços. Também disse que tinha contatos se eu precisasse de financiamento para a compra do novo apartamento.

4.Recebi um convite do BMG, em outubro, para realizar uma entrevista de admissão. Após os procedimentos de praxe, fui contratada como a segunda psicóloga do Departamento de Recursos Humanos da filial paulista. Trabalho na empresa desde 3 de novembro de 2003, em regime de meio expediente, na função de analista de recursos humanos. Desde então atuei em diversos programas e atualmente dou assistência psicológica a funcionários do banco e seus familiares em meu consultório.

5.O novo emprego permitiu a renda adequada para que eu me credenciasse a créditos imobiliários. Além disto, coloquei à venda o apartamento em que morava e meu carro. A idéia era complementar o valor do novo imóvel com financiamento bancário.

6.Vendi meu antigo apartamento em novembro, ao sr. Ivan Guimarães, também petista, para servir de residência à sua mãe. Quando fui passar a escritura, recebi a informação de que seria outro o efetivo comprador, a quem fui apresentada na hora, o sr. Rogério Tolentino.

7.Com a venda do imóvel e do único automóvel que tinha, consegui parcialmente o valor necessário para o apartamento que queria comprar. A diferença, de R$ 42 mil, foi financiada em 36 parcelas junto ao Banco Rural, com a alienação do próprio imóvel, por indicação do sr. Marcos Valério. Os custos da escritura foram pagos através de um empréstimo de R$ 5 mil no Banco do Brasil, regularmente concedido a funcionários públicos.

Estes são os fatos. As transações citadas estão todas declaradas em meu imposto de renda. Alguns detalhes, na época, me fugiram à atenção. Apenas hoje, por exemplo, vim a saber que o sr. Tolentino é advogado e sócio do sr. Marcos Valério.

Até recentemente, antes da crise em curso, acreditava que o sr. Marcos Valério era amigo de amigos e disposto a ser solidário, como muitos que conheci no ambiente petista. Agora me dou conta que fui usada por este senhor, que tinha interesses próprios e provavelmente visava comprometer o ex-ministro José Dirceu.

Quero, por fim, esclarecer que em nenhum momento meu ex-marido interferiu ou teve conhecimento das minúcias da compra do imóvel. Os encaminhamentos que adotei são de minha inteira responsabilidade e foram conduzidos da maneira autônoma pela qual sempre geri minha vida. Ontem à noite, quando relatei a José Dirceu os detalhes desta situação, o fiz com muita tristeza e consternação, pois tenho consciência que posso ter sido um instrumento para abalar sua imagem pública.”

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