Em jogo quase perfeito, Guga vence e quebra jejum no Aberto dos EUA - WSCOM

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30/08/2005


Em jogo quase perfeito, Guga

A estréia de Gustavo Kuerten foi quase perfeita no Aberto dos Estados Unidos. Impondo uma estratégia agressiva, o tenista brasileiro se classificou para a segunda rodada ao derrotar o norte-americano Paul Goldstein, 65º colocado do ranking mundial, por 3 sets a 1, com parciais de 6-2, 6-7 (7-5), 6-3 e 7-6 (7-3).

No jogo só não foi do jeito que Guga queria porque ele teve de lutar por pouco mais de três horas para avançar, provocando um desgaste maior para a partida seguinte. Mesmo assim, o brasileiro pôde “testar” seu condicionamento físico, como queria fazer nessa nova fase de recuperação da segunda cirurgia que sofreu no quadril.

Número 357 do ranking, Guga entrou em quadra com uma tática bem definida. Do fundo de quadra, foi agressivo em seus golpes, tentando finalizar o ponto da maneira mais rápida possível. Isso rendeu a ele 97 “winners” (bolas indefensáveis) e confiança, já que estava calibrado, mas também inúmeros erros em momentos decisivos no segundo set.

Sacando bem -converteu 35 aces no total-, Guga dominou o americano na maior parte do tempo e cedeu o primeiro break point apenas no sétimo game do terceiro set. Foi quando fez o melhor uso do serviço para se livrar das três chances de quebra e partir para a vitória.

Com o resultado desta terça-feira, Guga recuperou-se de uma das piores fases da carreira, vindo de uma seqüência de cinco derrotas. A última vitória do brasileiro no circuito internacional havia sido na primeira rodada do Masters Series de Hamburgo, em maio. Nesse período, ele também ganhou duas partidas pela Copa Davis, contra Antilhas Holandesas.

Na primeira partida da temporada que faz fora da quadra de saibro, Guga também quebrou um jejum de dois anos sem vitória em Flushing Meadows. No ano passado, ele caiu diante do dinamarquês Kristian Pless e, em 2003, perdeu para o russo Dmitry Tursunov. Antes disso, teve como melhor resultado as quartas-de-final em 1999 e 2001.

O próximo jogo de Guga será diante de um velho conhecido. Ele enfrentará o espanhol Tommy Robredo, que se classificou ao bater o italiano Danielle Bracciali em quatro sets. Neste ano, o brasileiro já perdeu duas vezes para Robredo (na segunda rodada em Hamburgo e na estréia em Umag). No retrospecto geral, ele ganhou uma vez em quatro confrontos.

O Jogo

A agressividade de Guga fez a diferença porque contou com a “conivência” de Goldstein, que arriscou pouco e se preocupava mais em “colocar a bola em quadra”. Esse estilo de jogo se encaixou perfeitamente com o que o brasileiro pretendia na partida.

E logo no primeiro game, Guga acertou dois golpes indefensáveis e contou com uma dupla-falta do rival para ter três break points. Na segunda chance, ele aproveitou erro não-forçado de Goldstein para quebrar o saque. A partir daí, o brasileiro foi soberano na partida.

Permitiu que Goldstein se recuperasse, mas, em nenhum momento, teve o serviço ameaçado. No sétimo game, conseguiu mais dois break points e, na segunda chance, acertou um golpe em paralela de “forehand” (movimento com a direita) e fez 5 a 2. Em seguida, teve tranqüilidade para fazer 6 a 2.

No segundo set, Guga alternou bons e maus momentos. Ele manteve o estilo agressivo, mas falhou em momentos decisivos. Com o saque na mão, teve média de dois aces por game -foram 12 no total-, o que impediu o adversário de ter break points, já que Goldstein ganhou 13 dos 40 pontos em jogo.

Do outro lado, Guga falhou quando estava na devolução. Logo no primeiro game, perdeu três break points. No sétimo, desperdiçou nova chance de quebra e, no nono, permitiu a virada do americano quando ganhava por 0-40. No game anterior, o brasileiro viveu seu momento mais complicado ao sair de 0-30 para o empate por 4 a 4.

Depois disso, cada tenista confirmou seu saque com traqüilidade, e a decisão foi para o tie-break. No desempate, Guga cometeu um erro não-forçado e uma dupla-falta, permitindo que o adversário abrisse vantagem de 3 a 0. Ele se recuperou ao empatar por 5 a 5, mas voltou a falhar no 11º ponto. Em seguida, Guga errou uma devolução de saque e deu o set ao americano por 7 a 5.

Ao fim do segundo set, Guga mostrou sinais de desgaste, mas isso não impediu que ele perdesse a concentração no início da terceira série. Depois de fazer 1 a 0, quebrou o saque de Goldstein na segunda chance, após erro do americano. Sem ser ameaçado, chegou a abrir vantagem de 4 a 1.

No sétimo game, porém, Goldstein tentou reagir. Marcou os três primeiros pontos e deixou Guga em situação difícil. Porém, com bom saque e dois aces, o brasileiro marcou cinco pontos consecutivos e se livrou da primeira quebra na partida. Depois, só confirmou o saque no nono game para fechar a série em 6 a 3.

O quarto set foi um verdadeiro teste para Guga, que passou por momentos difíceis. No segundo game, precisou salvar um break point para manter o jogo equilibrado. Nesse set, o brasileiro não conseguiu tanta superioridade no serviço do rival, mas, em compensação, continuou sacando bem.

Com Goldstein arriscando mais, Guga tinha um obstáculo a mais a ser superado, mas mostrou que estava pronto para a classificação no sétimo game. Ele salvou três break points, chegou à marca de 30 aces na partida e deixou o americano cada vez mais arriscado.

Mas no game seguinte foi a vez de Guga desperdiçar chances. Primeiramente, teve dois break points seguidamente mas não aproveitou. Depois, com a instabilidade de Goldstein, teve mais duas oportunidades e cometeu erros não-forçados, vendo a decisão do jogo adiar.

Depois disso, cada tenista confirmou seu saque até o empate por 6 a 6, levando a decisão para o tie-break. Novamente Goldstein saiu na frente e fez 3 a 1, mas Guga deu o troco e virou para 4 a 3. No saque de Goldstein, Guga acertou um “winner” e, com outro erro de Goldstein, ficou em vantagem de 6 a 3. No primeiro match point, acertou um “backhand” em paralela para fazer 7 a 3 e fechar o jogo.

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