Em estado grave, mas estável, Telê pode precisar de cirurgia - WSCOM

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28/03/2006


Em estado grave, mas estável,

O médico José Olinto Pimenta Figueiredo, que atende o ex-técnico Telê Santana, internado desde sábado, em estado grave no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Felício Rocho, revelou que há uma possibilidade real de o paciente necessitar de uma cirurgia.

Arquivo/FI

Telê Santana, bicampeão mundial pelo

São Paulo, foi internado no sábado à tarde”O quadro do Telê pode evoluir para um processo cirúrgico intra-abdominal. Felizmente, ainda não surgiram dados que nos levassem a intervir de forma invasiva ou cirúrgica”, comentou, em coletiva, nesta segunda-feira à noite, o coordenador do Serviço de Medicina Interna do Hospital Felício Rocho.

José Olinto explicou que Telê apresenta um quadro de reação inflamatória sistêmica e disse que a septicemia é um deles. “Tudo isso decorre da agressão inicial e de uma reação inflamatória que o próprio organismo desencadeia, como uma septicemia”, observou.

Segundo o médico, há duas possibilidades cirúrgicas. “Primeiro, o colo se distende muito e, por isso, ocorre o risco de perfuração, que leva ao quadro de peritonite, que é uma cirurgia que teria de ser feita de urgência. O ideal é anteciparmos a isso, não deixando que isso ocorra. Por isso, estamos fazendo exames seriados”, afirmou José Olinto, citando tomografia computadorizada, ressonância magnética, entre outros.

“Essa cirurgia pode ser feita para descomprimir o colo ou mesmo retirar parte dele, dependendo obviamente da evolução”, afirmou o médico, que não arrisca qualquer previsão de tempo para recuperação do ex-treinador da Seleção Brasileira. “A gente tem que torcer é para que ele recupere, o tempo para nós não é tão importante, o quadro é grave, e ele está precisando de todos esses parâmetros”, comentou.

José Olinto adiantou que Telê Santana ainda vai continuar no CTI por muito tempo, caso o quadro continue evoluindo como se espera. “Estamos acompanhando de perto, porque esses quadros são absolutamente instáveis”, analisou o médico, que se disse impressionado com a força demonstrada pelo paciente.

“Isso é o que mais impressiona, apesar das pessoas acharem que ele não teria esse tipo de força, mas tem. O que surpreende no Telê é a famosa garra dele. Ele está sedado, mas quando se retira a medicação está absolutamente lúcido e explico para ele detalhadamente a situação. Ele com certeza já superou situações parecidas, não tão graves como essa, então a gente tem que investir e acreditar nisso”, disse.

José Olinto explicou que Telê Santana chegou ao hospital no sábado com um quadro de reação inflamatória sistêmica, impotência, dor abdominal. “Com a evolução do quadro nós constatamos uma falta de sangue numa parte específica do intestino, o ntestino grosso. Desde então ele se internou no Centro de Tratamento Intensivo com um quadro que a gente chama de reação inflamatória sistêmica, que envolve o acometimento de vários órgãos, principalmente o sistema circulatório”, explicou.

Segundo ele, nesses casas a pressão cai, a perfusão dos órgãos fica prejudicada, basicamente rim, pulmão, cérebro. “Mas é importante frisar que ele não teve nada cerebral, como das outras vezes. O quadro inicial é um quadro do intestino grosso. Os antibióticos foram precocemente administrados e dado o suporte circulatório necessário para que supere essa fase difícil”, afirmou.

Telê Santana, de 74 anos, comandou a Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 1982 e 86 e dirigiu o São Paulo nos dois primeiros títulos mundiais, em 1992 e 93, além de Ter sido o primeiro campeão brasileiro, com o Atlético-MG, em 1971.

Os problemas de saúde de Telê, que ficou conhecido como “Fio de Esperança”, quando se tornou ídolo do Fluminense na década de 50, começaram no início de 1996. Ele passou por um cateterismo para descobrir as causas de eventuais tonturas, e, no exame, foi revelada a existência de isquemia cerebral.

A doença mostrou suas conseqüências e obrigou Telê a abandonar o futebol. Com o tempo, ele passou a falar pausadamente e a se locomover com dificuldade. Há três anos, o “mestre”, como era carinhosamente chamado por seus colegas treinadores, teve parte da perna esquerda amputada. O motivo foi uma isquemia sofrida no local, em virtude da falta de circulação de sangue.

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