Em crise, frente do 'sim' muda campanha - WSCOM

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Brasil & Mundo

14/10/2005


Em crise, frente do 'sim'

A frente parlamentar Brasil sem Armas, favorável à proibição da venda de armas de fogo e munição, trocou a estratégia de campanha. A medida ocorreu depois que pesquisas internas indicaram redução da vantagem em favor do “sim” de 22 para dez pontos percentuais. Além disso, ocorreram divergências entre o comando político da frente e a coordenação da campanha quanto ao tom e ao conteúdo que os programas de rádio e televisão deveriam adotar, segundo o jornal “Folha de S.Paulo”.

O marqueteiro Luiz Gonzáles, que realizou a campanha do prefeito José Serra (PSDB), assumiu a produção e centralizará o discurso na “satanização” das armas e nos interesses da indústria e do comércio do setor que, segundo o grupo, estão ligados à frente Pelo Direito da Legítima Defesa, diz o jornal. Gonzales assumiu o posto do ex-coordenador Paulo Alves, que pediu afastamento.

De acordo com o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), secretário-geral da frente, “a saída do Paulo [Alves] se deu porque queríamos ser incisivos em relação à arma de fogo”. Paulo Alves afirmou que saiu da coordenação da campanha porque havia uma série de propostas para os rumos dos programas “nem sempre compatíveis com a minha própria leitura como estratégia”. Segundo ele, sua saída ocorreu de forma “civilizada”.

Alves disse à “Folha” que o uso de artistas na campanha “teve um efeito questionável”. “Na comparação, foi como se a outra propaganda [contrária à proibição] fosse mais real, e a nossa, mais distante.” A campanha Pelo Direito da Legítima Defesa deve permaneçam com a atual linha de argumentação, centrada na proteção do direito do cidadão de comprar uma arma de fogo e na dificuldade de o Estado garantir a segurança. Segundo Chico Santa Rita, marqueteiro do grupo, dependendo do resultado de algumas pesquisas de opinião, pequenas alterações poderão ser feitas.

De acordo com a “Folha”, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral, José Delgado, proibiu a TV Globo de vincular o referendo como do “desarmamento”. A rede deverá usar a “referendo sobre a proibição ou não do comércio de armas e fogo e munição”. A Globo vai cumprir a decisão.