Em ato religioso, Alckmin não vê "correria" na decisão do PSDB - WSCOM

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Brasil & Mundo

02/03/2006


Em ato religioso, Alckmin não

Após participar de ato político-religioso na Catedral da Sé nesta quarta-feira, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou que a decisão do PSDB para a definição do candidato à Presidência sai nos primeiros dias de março e que não vê razão para “correria”.

“Estou extremamente otimista. Nós percorremos todas as etapas dentro do partido –direção partidária, governadores, senadores, deputados, dirigentes do partido, prefeitos. Coloquei o meu nome à disposição do PSDB, mas não é uma decisão pessoal, é uma decisão coletiva”, afirmou o governador sobre sua pré-candidatura à Presidência, que enfrenta a concorrência do prefeito José Serra.

“A rigor, a convenção partidária é em junho. Só que temos o problema do prazo de desincompatibilização, então precisa tomar a decisão em março. Agora, março não precisa ser no primeiro dia, pode ser daqui uma semana, dez dias, não há razão para correria”, afirmou Alckmin, relatando que está agora “110 por cento zen” sobre o prazo da escolha.

O deputado estadual José Carlos Satangarlini, que acompanhava o governador, disse que torce por Alckmin e que “Serra precisa ficar na dele”.

Na quinta-feira, o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, deve ter uma conversa em São Paulo com o prefeito, enquanto Alckmin afirmou que não há nada agendado com o senador.

Do trio que coordena a escolha do candidato, Aécio Neves, governador de Minas Gerais, está na Canadá em viagem não oficial e retorna em meados da semana que vem. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também está em viagem.

Alckmin participou do lançamento da Campanha da Fraternidade 2006 que tem como tema “Fraternidade e Pessoas com Deficiência”. Após a missa rezada pelo cardeal arcebispo dom Claudio Hummes, Alckmin e assessores subiram ao altar, onde o governador discursou e assinou decreto que cria um centro de orientação para pessoas com necessidades especiais.

Segundo o governo paulista, 14 por cento da população do Estado é portadora de algum tipo de deficiência.

Indagado se o ato significou o apoio da Igreja à sua candidatura, Alckmin negou. “Entendo que não pode. Primeiro, não foi explicitado e, segundo, porque toda a orientação da Igreja, pelo que eu tenho lido, é de apoiar teses, políticas públicas, mas não indicar pessoas.”

O governador seria ligado à organização Opus Dei, da ala conservadora da Igreja Católica.

Antes da cerimônia, dom Claudio Hummes afirmou: “A Igreja não faz política partidária e nem deve fazer. E não fará no sentido de indicar um partido ou pessoas a serem eleitas. Isso só em situações muito graves, mas não estamos em situação excepcional”, afirmou. O papel da Igreja, disse, é indicar critérios éticos e de Justiça.

PIB -O governador ainda criticou o desempenho da economia no ano passado, que registrou crescimento de 2,3 por cento, de acordo com dados divulgados antes do Carnaval.

“Acho que acendeu uma luz amarela, se é que já não acendeu uma luz vermelha. O PIB do ano passado comparado a mais de 9 por cento da Argentina, da China, mais de 7 por cento da Índia é motivo de grande preocupação”, atacou.

Ele antecipou que mudará a política econômica, mas disse que manterá o regime de metas de superávit primário, um dos elementos essenciais da economia.

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