Em 2004, mais de 40% dos óbitos por tuberculose do Rio de Janeiro não foram regi - WSCOM

menu

Saúde

15/04/2011


Obitos por tuberculose não registrados

Falhas

Foto: autor desconhecido.

Nesta quinta-feira, 24, comemora-se o Dia Mundial de Combate à Tuberculose. De acordo com dados de 2010 do Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT), do Ministério da Saúde, o Brasil ocupa a 19ª posição no ranking de 22 países com mais casos da doença. São registrados no país em média 70 mil novos casos por ano, entretanto, a situação, na realidade, pode ser ainda pior. Um estudo publicado em fevereiro deste ano na Revista de Saúde Pública revela que há problemas na detecção de casos e falhas na qualidade do sistema de informação.

 

Para identificar subnotificações de óbitos e internações por tuberculose no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), Ludmilla Sousa, da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, e Rejane Pinheiro, do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro, realizaram uma pesquisa com dados do município do Rio de Janeiro.

 

As autoras lembram no artigo intitulado “Óbitos e internações por tuberculose não notificados no município do Rio de Janeiro” que em 2005 no Rio de Janeiro foram registrados 103,7 casos por 100 mil habitantes, número acima da média nacional (43,8 por 100 mil habitantes) computado no mesmo ano. Além disso, nesse período a taxa de abandono foi de 13,8% no município. Vale lembrar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece como meta internacional um índice de abandono de até 5%.

 

As pesquisadoras explicam na publicação que o Sinan é uma “ferramenta, universal e de abrangência nacional, que auxilia a vigilância epidemiológica e apóia tomadas de decisão”. Porém, existem outras bases de dados que registram eventos relacionados à tuberculose no país, “como o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e o de produção de serviços de internação (Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde – SIH/SUS), cujos dados são disponibilizados pelo Ministério da Saúde/Datasus”.

 

No estudo em questão, as autoras selecionaram óbitos do SIM que tinham tuberculose como causa básica ou associada e internações do SIH/SUS que tiveram a doença como causa principal ou secundária de residentes do município do Rio de Janeiro no ano de 2004. Elas realizaram então uma associação probabilística das bases de dados do SIM e SIH-SUS com a do Sisan, referentes aos anos de 2002 a 2004.

 

A pesquisa revelou que houve 542 óbitos por tuberculose no período, sendo que 234 (43,2%) não foram registrados no Sinan nos dois anos anteriores. "Das 1.079 internações, 238 (22,1%) não foram notificadas. Foram relacionados às internações

71 óbitos: 47 ocorreram durante a internação por tuberculose, 24 após a internação. Sete não foram notificados no Sinan”, dizem no artigo.

 

Elas observaram ainda que os idosos tiveram mais chance de não serem notificados quando comparados aos mais jovens. Da mesma forma, pessoas com nível superior ou mais escolaridade também apresentaram mais chance de não notificação quando comparados com os que possuíam nenhum ano de estudo.

 

Além disso, segundo Ludmilla e Rejane, “algumas divisões regionais de saúde apresentaram percentual de óbitos não notificados acima de 50% e esse percentual vaiou entre 37,8% e 12,7% para internações”. Para ler o estudo na íntegra, acesse.

Notícias relacionadas