Eleição na Argentina enfrenta batalha pelo manto de Evita - WSCOM

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Internacional

23/10/2005


Eleição na Argentina enfrenta batalha

Desde Evita Perón o movimento peronista tem excedido no uso de mulheres na mobilização da fé. O general Juan Domingo Perón usou sua esposa durante sua vida, e logo após sua morte, como seu elo com as massas e mais recentemente Carlos Saul Menem se casou com uma ex-Miss Universo, supostamente em busca de ajuda para reavivar sua bandeira política.

Mas o partido dominante na Argentina pode ter se superado desta vez. Agindo como procuradoras na luta de seus maridos pelo controle do partido, a atual primeira dama e sua predecessora estão combatendo por uma vaga no Senado.

Em uma dura campanha para as eleições deste domingo, um confronto que a mídia local chama de “a mãe de todas as batalhas” , ambas as mulheres se ofereceram como herdeiras de Evita. Mas Cristina Fernandez de Kirchner, esposa do presidente Nestor Kirchner e Hilda Beatriz Gonzáles de Duhalde, mulher do ex-presidente Eduardo Duhalde, diferem no passado político e em estilo.

Hilda Duhalde, que foi responsável pelos programas sociais durante a administração de 17 meses de seu marido, mostrou aos eleitores suas origens humildes, seus anos como dona de casa e o fato de ela, e não sua oponente, ter ganhado o direito de aparecer nas urnas como candidata peronista.

Em um comício recentemente no subúrbio de Buenos Aires, Hilda Duhalde, conhecida localmente como Chiche, declarou “O que está em jogo não é Chiche, mas o partido fundado pelo gênio de Perón e pela alma de Evita”. Duhalde, 59, falou de sua infância quando todos os argentinos se beneficiavam do bem estar social do governo peronista. Ela alegou que aquele Estado foi substituído pela “crescente indigência, uma apertada aposentadoria e uma riqueza cada vez mais concentrada”.

Cristina Kirchner se apresenta como uma versão Argentina da senadora Hillary Clinton, quem admira abertamente, e busca atingir além do eleitorado estritamente peronista. Advogada de 53 anos cujas pesquisas mostram estar confortavelmente na liderança, Cristina Kirchner já se encontra no Senado representando a pequena província natal de seu marido, Santa Cruz, na Patagônia. Mas ela ganharia muito poder, e seu marido igualmente, se ganhar a chance de representar Buenos Aires, terra de cerca de 40 por cento da população de 38 milhões da Argentina.

Com um terço das cadeiras do Senado e metade disso na pequena casa em jogo neste domingo, Kirchner espera não apenas colocar sua mulher nessa vaga e melhorar sua imagem, mas também, pelo menos, obter maioria no Congresso. Ali, Eduardo Duhalde ainda controla a delegação de Buenos Aires, a maior do Congresso, e bloqueou iniciativas que aumentariam a popularidade ou a condições de fazer manobras do seu rival.

A mídia acredita que Kirchner está tentando construir uma dinastia maior do que a de Perón. De acordo com tais especulações certamente ele irá concorrer a reeleição em 2007 e então abrir caminho para sua esposa, que se for eleita duas vezes, deixaria a posição apenas no final da década que vem.

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