Economia do governo para pagar juros sobe em março e chega a R$ 9,1 bilhões - WSCOM

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Economia & Negócios

26/04/2011


Economia do governo para pagar juros

R$ 9,1 bilhões

Foto: autor desconhecido.

O superávit primário, que é a economia feita pelo governo federal para pagar juros da dívida pública, fechou o mês de março com valor de R$ 9,1 bilhões. Em fevereiro, o resultado primário foi de R$ 2,5 bilhões. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26) pelo Ministério da Fazenda.

O resultado do Tesouro se refere às contas do governo central, que inclui Tesouro, Previdência e Banco Central. No acumulado de janeiro a março, o superávit do governo central foi de R$ 25,9 bilhões.

Em março, contribuiu para o resultado o bom desempenho do Tesouro, enquanto Previdência e Banco Central tiverem resultados negativos (déficit). No acumulado do ano, de acordo com a Fazenda, impactaram no resultado o crescimento de 58,3% do resultado do Tesouro e a redução de 33% no déficit da previdência.

O superávit primário é o dinheiro que o governo economiza para pagar os juros da dívida. É um dos principais indicadores observados pelo mercado internacional, pois mostra a capacidade de um país de pagar seus credores em dia. Conseguir reservar o dinheiro para o pagamento dos juros é importante para que não haja aumento da dívida pública.

A meta do governo para o governo central é de fechar o período de janeiro a abril (primeiro quadrimestre) com superávit de R$ 22,9 bilhões. O resultado atingido até março, portanto, superou a meta do governo.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que os números mostram que o governo vem cumprindo “com folga” a meta de economizar e cortar despesas neste ano. Ele participou da abertura da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, com participação de autoridades, empresários e acadêmicos.

– O Brasil, do ponto de vista fiscal, está sólido, caminhando numa situação bem confortável.

Corte de gastos

Neste ano, o governo anunciou que fará cortes de R$ 50 bilhões nas despesas totais. O objetivo é frear a inflação, que se intensifica na medida em que o governo, como grande comprador, pressiona a oferta de produtos e serviços.

O ministro também disse que, em boa parte, a inflação, que atinge principalmente os alimentos, é causada pela alta do preço das matérias-primas, as commodities (mercadorias básicas com cotações definidas no mercado internacional).

Para o governo, uma das medidas para conter a alta no Brasil é estimular a oferta interna de alimentos e evitar contágio sobre outros produtos, afirmou Mantega.

Sobre o corte de despesas do governo, o ministro disse que ela mostra uma inflexão na política econômica, pois mantém os investimentos, que geram renda e emprego. Num gráfico, ele mostrou que neste ano o investimento já cresceu 10,4%.

– A redução que procuramos fazer de gastos visa reduzir o consumo e manter elevado o investimento. Essa é novidade, uma mudança na política econômica, já que antes você cortava tudo.

Em comparação com outros países, Mantega explicou que o baixo crescimento e alta inflação, concentrados em nações desenvolvidas, é fator de desafio para o Brasil.

Ainda assim ressaltou que, neste ano, o Brasil, com alta prevista de 4,5% do PIB (Produto Interno Bruto), deverá ser um dos poucos países a registrar crescimento econômico elevado, junto com China (9%), Índia (8,9%), Argentina (6,3%), Indonésia (6,1%), México e Turquia (4,9%), Coreia (4,7%) e Rússia (4,5%).
 

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