Duda vê "coisa esquisita" em pagamentos do PT - WSCOM

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Brasil & Mundo

11/08/2005


Duda vê "coisa esquisita" em

Depois de chorar e dizer que iria abrir o coração no seu depoimento na CPI dos Correios, o publicitário Duda Mendonça admitiu que ocorreu uma “coisa esquisita” em 2004 quando começou receber as dívidas que tinha com o PT. O depoimento dele não estava marcado para hoje, mas um acordo permitiu que ele falasse junto com a sua sócia, Zilmar da Silveira.

Ele iniciou o depoimento com um breve relato de sua trajetória profissional e do trabalho em campanhas eleitorais, não apenas ao PT, mas também ao PSDB, PMDB, PSB, ao antigo PDS de Paulo Maluf , e a quase todos os partidos do País”.

Ao tratar do acerto feito com o PT para as eleições de 2002, Duda disse ter fechado um pacote de R$ 25 milhões, que envolvia a produção dos programas do horário eleitoral no rádio e na TV, das candidaturas de Lula à Presidência, de José Genoino a governador de São Paulo, Aloizio Mercadante a senador por São Paulo e de Benedita da Silva ao governo do Rio de Janeiro.

Segundo o publicitário, ao final de 2002, o PT lhe devia R$ 11,5 milhões e Duda disse ter pago de seu próprio bolso serviços contratados de terceiros e fornecedores. “Já tomei cano em campanha e paguei do meu bolso”, afirmou. Somado aos R$ 11,5 milhões, Duda informou ter assinado um novo contrato com o PT para 2004, no valor de R$ 7 milhões, pelo qual faria programas nacionais e estaduais de rádio e TV.

Duda relatou que, no início de 2004, aconteceu “uma coisa esquisita”, pois parou de receber o dinheiro do PT após a conclusão da campanha. “A Zilmar passou a pressionar o Delúbio Soares (então tesoureiro do PT)”, disse. Para resolver o problema dos pagamentos, Delúbio determinou a Zilmar, segundo Duda, que procurasse o empresário Marcos Valério que honraria os compromissos.

Nessa época, segundo o publicitário, o PT retomou os pagamentos através de Delúbio, no valor de R$ 3 milhões, enquanto Valério repassou R$ 4 milhões em nome do partido à agência dele. “Eu me mandei para a Bahia, e um dia a Zilmar me liga e diz: ´Duda, tem um negócio esquisito. Vim receber a parcela de R$ 300 mil do Valério, crente que viria um cheque do (banco) Rural, e está aqui um pacote de dinheiro´. Não quero ficar aqui de santinho, hipócrita ou cínico. Minha preocupação era que eu tinha que receber. Afinal, trabalhei para isso”, relatou Duda. Ele disse que Valério informou “que era assim (em dinheiro em espécie), ou eu não recebia”. Para o publicitário, “não havia alternativa”.

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