Dom Aldo emite nota onde se diz indignado com vandalismo no Congresso e critica - WSCOM

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Paraíba

08/06/2006


Dom Aldo emite nota onde

O arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagatto, divulgou hoje nota oficial onde expressa indignação em relação aos atos de vandalismo praticados no Congresso Nacional nesta terça-feira 6. No documento, além de condenar o quebra-quebra do Movimento de Libertação Sem Terra (MLST), Pagotto faz críticas veladas a política agrária do governo Lula.

‘As instituições governamentais, eqüidistantes da metodologia empregada pelo marxismo retrógrado, não podem se intimidar diante de ideologias que incitam o ódio e a violência, alicerçando suas estratégias na luta de classes’, orienta o arcebispo. ‘Que o Governo assuma o seu papel, indicando rumos seguros dentro dos ditames da ordem, da justiça e da paz, reprimindo os maus exemplos’.

Para Dom Aldo Pagotto, o gesto protagonizado pelo MLST em Brasília sinalizam tentativa de desmoralizar as instituições. Ele ainda questiona a representatividade do movimento.

‘Sabemos que o pobre não pratica violência nem promove badernas. Pergunto: quem patrocina e sustenta financeiramente tais movimentos?’, questiona o arcebispo na nota.

Ele condena não só os atos no Congresso, mas boa parte das ações desenvolvidas pelos movimentos agrários no País. Para Pagotto, o quebra-quebra, as invasões (ainda que de terras improdutivas) não são, na maioria dos episódios, promovidos por trabalhadores pobres querendo trabalhar na terra. As ações também colocariam em risco o Estado de direito.

Veja íntegra da nota:

Interpretando os sentimentos do povo paraibano, sinto-me no dever cívico de expressar a minha indignação ética a respeito dos inomináveis atos de vandalismo praticados contra os parlamentares do Congresso Nacional por parte de elementos de certos movimentos, como os da “Libertação Sem Terra” e congêneres.

Com o gesto de destruição dos bens patrimoniais, simbolicamente, tentam desmoralizar as instituições democráticas. Agindo assim, tais grupos de pressão libertadora resistem aos princípios e ao exercício da democracia participativa, garantidos pela Constituição, num Estado de direito e de fato. Com atos semelhantes, quebra-quebra, invasão de prédios públicos e de terras (mesmo produtivas), destruindo plantações, reivindicam um tipo de reforma agrária. Confundem a opinião pública ao se apresentarem como agricultores pobres querendo terra para trabalhar.

Ora, sabemos que o pobre não pratica violência nem promove badernas. Pergunto: quem patrocina e sustenta financeiramente tais movimentos? Efetivamente se equivocam seguindo o sofisma: “para conseguir os fins visados, justificam o uso de meios escusos”. Se assim for, continuarão a promover agitações, recrudescendo então a violência no campo e na cidade – coisas que devem ser superadas por uma sadia e oportuna reestruturação agrária.

Por outro lado, seria inconcebível a omissão do Estado, mostrando-se inseguro, desprovido de planejamentos de políticas agrárias, agrícolas, hídricas, com garantias de assistência e fiscalização técnica, administrativa e financeira.

As instituições governamentais, eqüidistantes da metodologia empregada pelo marxismo retrógrado, não podem se intimidar diante de ideologias que incitam o ódio e a violência, alicerçando suas estratégias na luta de classes. Tal esquema visa unicamente à desestabilização da ordem constituída.

Que o Governo assuma o seu papel, indicando rumos seguros dentro dos ditames da ordem, da justiça e da paz, reprimindo os maus exemplos. Estes, talvez sejam sondagens, para ver se o governo e o povo reagem diante da amostragem de como se faz uma revolução… Seria essa a imagem do Brasil projetada na mídia internacional?

Aldo di Cillo Pagotto,

Arcebispo Metropolitano da Paraíba