Dólar fraco acelera fim de superávit de bens e serviços - WSCOM

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Economia & Negócios

05/03/2006


Dólar fraco acelera fim de

A breve era dos superávits nas transações de bens e serviços com o resto do mundo começou a acabar –mas o processo deve se arrastar, no mínimo, até o final do próximo ano. E, até onde a vista alcança, o dólar continuará despencando.

Essa é, pelo menos, a avaliação consensual de consultorias, bancos e analistas consultados pela Folha, que começam a reconsiderar suas projeções para as contas externas do país.

O alarme soou com a recente divulgação do resultado das transações correntes –que incluem a balança comercial, o turismo, as remessas de lucros, o pagamento de juros e outros serviços– em janeiro: déficit de US$ 452 milhões, o primeiro em 14 meses.

Até então, embora já se calculasse que o dólar em queda e a esperada expansão da economia acabariam por eliminar o superávit do país nas transações com o exterior, a expectativa geral apontava para um prazo muito maior. Segundo pesquisa do Banco Central, o mercado esperava saldo zero apenas em 2009.

Agora, além da redução das previsões para este ano, já há quem inclua nos cenários futuros o fim do superávit já em 2007.

Uma das consultorias mais otimistas do mercado, a LCA, promoveu forte ajuste na expectativa de superávit externo neste ano –de US$ 10,4 bilhões para US$ 8,3 bilhões. Independentemente do número, é consenso entre os especialistas que em 2006 haverá a primeira queda do saldo, em valores nominais, desde o início do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Luiz Fernando Lopes, economista-chefe do banco Pátria, trabalha com queda mais rápida do resultado: de US$ 14,2 bilhões em 2005 para US$ 7 bilhões neste ano e US$ 1 bilhão –ou mesmo nada– em 2007. “O resultado vai caminhar para zero nos próximos meses.”

“Temos a perspectiva de anular o superávit no próximo ano”, concorda Júlio Gomes de Almeida, do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), que também estima queda pela metade do saldo nas transações correntes em 2006.

Em janeiro, o impacto maior foi sobre as remessas de lucros e dividendos. Com o câmbio abaixo de R$ 2,20, multinacionais instaladas no país, que lucram em reais, aproveitaram a oportunidade para enviar mais dólares a suas matrizes –US$ 1,54 bilhão. Turistas brasileiros também se valeram da chance de gastar menos nas visitas a países estrangeiros, onde deixaram US$ 397 milhões.

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