Dólar cai quase 2% e Bovespa sobe 1,5% com explicações de Palocci - WSCOM

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Economia & Negócios

23/08/2005


Dólar cai quase 2% e

A entrevista dada ontem pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, acalmou o mercado financeiro brasileiro. O dólar está em baixa desde a abertura dos negócios, depois de subir quase 3% na última sexta-feira. Às 14h43, a divisa tinha desvalorização de 1,95%, a R$ 2,402 na venda. A Bolsa de Valores de São Paulo subia 1,55%.

Para Carlos Alberto Abdalla, da corretora Souza Barros, o mercado de câmbio “precificou” ao “extremo” as denúncias contra o ministro na última sexta-feira e agora, com o clima mais calmo, está devolvendo grande parte da alta.

Miriam Tavares, da corretora AGK, avalia que a resposta do ministro da Fazenda à denúncia de corrupção foi “equilibrada, sensata e convincente”.

Segundo Miriam, os esclarecimentos do ministro e as declarações firmes sobre a solidez da economia brasileira acalmaram o mercado. “Mas a cautela continua. As atenções continuarão centralizadas nos desdobramentos da crise política interna nesta semana”, ressalta.

A iniciativa do ministro Palocci repercutiu bem também no exterior. O risco-país –que mede a confiança dos investidores externos no Brasil– registrava queda de 1,9%, para 411 pontos básicos.

Entrevista

Ontem, em entrevista de mais de duas horas, em Brasília, Palocci negou que tenha recebido mesada de empresas de lixo quando ocupava o cargo de prefeito de Ribeirão Preto (SP) e afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu mantê-lo no cargo, descartando mudanças na política econômica. O ministro sinalizou que não haverá guinadas populistas na política econômica, o que agradou os empresários e o mercado financeiro.

A entrevista foi motivada pelo depoimento do advogado e ex-assessor Rogério Buratti, que na última sexta-feira havia afirmado ao Ministério Público paulista que Palocci recebia, entre os anos de 2001 e 2002, R$ 50 mil por mês para favorecer empresas de lixo em licitações.

O dinheiro, ainda segundo Buratti, seria depois repassado para o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, que já admitiu ter criado um esquema de caixa dois para financiar campanhas políticas do partido.

Repercussão

A oposição também parece ter dado uma trégua a Palocci. Após a entrevista, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), afirmou que seu partido não deve pedir a convocação de Palocci para depor em alguma das CPIs em funcionamento no Congresso.

O discurso também repercutiu bem em outros partidos da oposição, no governo, entre empresários e recebeu fortes elogios do presidente Lula.

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