Dólar cai 1,86% e fecha abaixo de R$ 1,60 - WSCOM

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Economia & Negócios

07/04/2011


Dólar cai 1,86% e fecha abaixo de R$ 1,6

Variação cambial

Foto: autor desconhecido.

O dólar comercial caiu 1,86% nesta quinta-feira, a R$ 1,584 na venda. Com a baixa, a moeda dos Estados Unidos registrou o menor valor desde o dia 6 de agosto de 2008 (quando fechou a R$ 1,578). A moeda caiu a despeito dos dois leilões feitos pelo Banco Central (BC) para comprar dólares no mercado à vista neste pregão. As taxas aceitas foram de R$ 1,594 e R$ 1,586.

Os investidores começam a reduzir suas previsões para o câmbio, novamente. Para os especialistas, a moeda dos Estados Unidos deve entrar em nova trajetória de queda, se acomodando na faixa entre R$ 1,50 e R$ 1,60. Essa é a segunda redução de perspectivas no mês, que mal começou. Em 1º de abril, economistas já haviam ajustado suas previsões, da faixa acima de R$ 1,70 para mais de R$ 1,60.

A redução está ligada ao último anúncio de medidas macroprudenciais feito pelo governo, na noite de ontem. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, estendeu cobrança de IOF para os empréstimos de até dois anos feitos por empresas e bancos. No dia 28 de março, havia sido anunciada a elevação da cobrança para os financiamentos de até um ano.

Para os economistas, o governo deu um recado claro ontem: não tomará medidas drásticas, nem que tenham efeitos colaterais em outros indicadores econômicos. Fica a sensação de que o governo não está de braços cruzados, mas não pode fazer muito mais se não adotar as tais medidas mais drásticas. Como o fluxo de recursos para o Brasil continua forte, a expectativa é de queda do dólar.

José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, diz que a postura do governo ontem anulou totalmente qualquer efeito que a alta de juros do Banco Central Europeu (BCE) pudesse ter no câmbio brasileiro. Normalmente, alta de juros em países desenvolvidos tende a provocar desvalorização do real, já que eleva a atratividade dos investimentos no primeiro mundo, tirando dinheiro do mercado local.

Os efeitos não foram sentidos, diz o economista do Fator, também por outros dois motivos: a alta do BCE já era esperada e a consistência do fluxo financeiro para o Brasil. A quantidade de dinheiro que chega ao Brasil é simplesmente muito grande para ser revertida de uma hora para outra.

José Góes, economista da Wintrade, acrescenta que a alta de juros na Europa é quase insignificante em termos de elevação de atratividade. “O aumento, de 1% ao ano para 1,25%, é nada, caso se compare com os 11,75% do Brasil.” Ele lembra que essa situação favorece as operações de carry trade no Brasil, que são aplicações nas quais se toma dinheiro a uma taxa de juros em um país para depois aplicá-lo em outra moeda, onde as taxas de juros são maiores.

Foi justamente esse tipo de negociação que o governo tentou coibir com a medida de ontem. “Mas o mercado tem outras maneiras de continuar com essas operações”, diz Góes. Ele afirma ainda que a política do governo reduz a volatilidade do câmbio e, de alguma maneira, até contribui para que o dólar não se valorize. “Uma moeda mais previsível é mais atrativa.”

Também se reforça nas mesas de operação a visão de que o governo, com a política de continuar adotando medidas mais leves, está usando o dólar para conter a inflação. “Continuamos entendendo que a preocupação do BC com o câmbio é adequada, tendo em vista que a alteração nas condições globais de liquidez não tende a ocorrer lenta e gradualmente, mas geralmente vem de modo inesperado e descontínuo”, diz Gonçalves, ao defender medidas que não sejam drásticas.

Ele lembra que, quanto mais valorizada fica a moeda por fatores temporários, maior o ajuste caso sejam tomadas medidas como controle de capitais. Por exemplo: empresas que se endividam em dólares podem ter um impacto imediato de aumento de dívida, caso haja mudança abrupta na cotação da moeda.

Gonçalves já trabalha com a perspectiva de o dólar chegar a R$ 1,55 no curto prazo. Essa estimativa está no meio da faixa da nova projeção do Barclays. Em relatório desta quinta-feira, o banco diz que reduziu suas projeções da faixa de R$ 1,65 a R$ 1,75, para R$ 1,50 a R$ 1,60.

“Não acreditamos que as novas medidas tomadas pelo governo terão força para conter a apreciação do real”, dizem, em coro com os demais economistas. “Além disso, acreditamos que o governo já está aceitando o novo patamar do dólar como ferramenta de contenção da inflação.”

O Barclays diz que, apesar de ter mantido sua retórica de que o governo tem armas para conter movimentos excessivos da moeda, se necessário, Mantega também deixou claro que a apreciação do real é inevitável e que os fluxos continuam a ser atraídos pelas perspectivas positivas da economia brasileira. “Com a liquidez global permanecendo abundante e a intervenção menor do governo, pavimenta-se o caminho para um patamar mais baixo de negociação cambial.”

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