DNA confirma morte de jornalista Ivandel Godinho Jr. - WSCOM

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Policial

24/06/2006


DNA confirma morte de jornalista

O jornalista Ivandel Godinho Junior está morto. O mistério chegou ao fim ontem com o resultado de um exame de DNA, que mostrou ser do jornalista seqüestrado a ossada encontrada no dia 31 em um terreno baldio no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo. Os exames compararam o código genético extraído de um fêmur com o DNA da mulher de Ivandel e de Hugo Godinho, o filho do jornalista.

Oficialmente, a polícia só deve divulgar o resultado do laudo na próxima semana. O exame se transformou numa das principais provas contra os seqüestradores acusados do crime. A Divisão Anti-Seqüestro (DAS) chegou ao corpo do jornalista depois de dois anos e meio de investigações. Isso só foi possível depois da prisão de Miguel José dos Santos Junior, o Juninho, acusado de ser o responsável por negociar o valor do resgate com a família do jornalista.

Juninho foi preso no dia 26 de maio em Itanhaém, na Baixada Santista. Ele confessou o crime e contou que o jornalista foi assassinado no dia 25 de outubro de 2003, três dias depois de ser seqüestrado. Juninho disse que um comparsa seu, Wilson Moraes Silva, o Turu, matou Ivandel a coronhadas. De acordo com ele, Ivandel, que tomava remédios, teve uma crise nervosa, gritou e acabou se envolvendo numa briga com Turu. O bandido estava sozinho com a vítima no cativeiro, uma casa no Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo. Juninho contou que Turu foi repreendido pelos comparsas, pois com Ivandel morto a extorsão ia ficar mais difícil.

Mesmo assim, o bando decidiu continuar a contatar a família como se o jornalista ainda estivesse vivo. Aproveitaram-se do desespero dos parentes e conseguiram o pagamento de R$ 50 mil como resgate. Horas depois de o dinheiro ser entregue, telefonaram para a família e mandaram que os parentes reunissem mais dinheiro se quisessem ver Ivandel vivo de novo. Depois disso, nunca mais telefonaram. Durante esse tempo, o empresário Ivens Godinho, de 55 anos, sempre acreditou que o irmão estava vivo.

Em 2004, um golpista foi preso em Minas pela polícia tentando extorquir a família, que havia feito um apelo público para obter informações sobre o paradeiro de Ivandel. O estelionatário se faz passar pelos seqüestradores e queria um resgate.

Prisões

Em janeiro de 2005, a polícia começou a desvendar o caso com a detenção do adolescente G.M.S.. Ele confessou a participação no crime e apontou mais cinco comparsas. Foram preso então Fabiano Pavan Prado e Turu, ambos já condenados pelo crime. Na época, os bandidos contaram que Ivandel havia sido morto no cativeiro, mas disseram que haviam incendiado o corpo. Um dos seqüestradores levou a polícia a um terreno no Jardim Ângela e a polícia recolheu ossos no lugar. Mais tarde os exames mostraram que os ossos eram de um cachorro.

O caso quase voltou ao zero até a prisão de Juninho. Ele havia trabalhado como motoboy na In Press, a empresa de assessoria de imprensa de Ivandel e foi o responsável por sugerir que ele fosse seqüestrado. Ivandel foi seqüestrado quando saía da In Press. O táxi em que estava foi abordado por dois bandidos em uma motocicleta – um terceiro dava cobertura. Mandaram que o jornalista descesse do táxi e subisse na moto entre dois dos bandidos.

Dois acusados de participar do crime ainda estão foragidos. São eles Wellington Ricardo da Silva, de 26 anos, o Neneco, e Sidnei Correa, de 22. Informações que levem à prisão dos dois podem ser dadas ao Disque-Denúncia, no número 181.

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