Dificuldade de acesso ao sistema de saúde contribui para automedicação - WSCOM

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Saúde

08/04/2011


Automedicação incentivada por saúde ruim

Problema

Foto: autor desconhecido.

Basta qualquer tipo de inflamação, tensão muscular ou torcicolo, para que muitas pessoas se dirijam à farmácia atrás de um anti-inflamatório. O problema é que a busca pelo alívio imediato da dor não é acompanhada de uma prescrição médica, o que faz com esses medicamentos sejam vendidos sem nenhum controle das autoridades de saúde competentes.

 

No estudo “Anti-inflamatórios não-esteróides e o uso indiscriminado: um estudo em drogarias no município de Pimenta Rueno-RO”, Heloisa Cristina de Lima, aluna de pós-graduação em Farmacologia Clínica da Unidade Avançada de pós-graduação Uningá (Roraima) e Mário dos Anjos Neto Filho, mestre e doutor em farmacologia, alertam para a necessidade de maiores orientações sobre o uso desses medicamentos assim como um controle maior na compra dos mesmos.

 

Embora reconheçam que os anti-inflamatórios não-esteróides sejam medicamentos notoriamente utilizados por toda a população mundial como fármacos muito eficazes e seguros, os pesquisadores explicam que eles ocasionam inúmeros tipos de reações adversas, podendo até causar a morte.

 

Segundo eles, a principal causa dos problemas viria do uso prolongado dos medicamentos, que podem durar meses. “Acredita-se que o uso prolongado se deve à cronicidade de certas patologias, como: lombalgia, artrose, hérnia de disco e reumatismo”, dizem no artigo.

 

Esse longo período de tratamento praticado por alguns indivíduos pode causar, segundo Heloisa e Mário, num período breve, distúrbios gástricos, renais e circulatórios.

 

No estudo em questão, que está publicado na edição de outubro de 2010 da Uningá Review, os balconistas de farmácia foram responsáveis pela maioria das indicações sem orientação médica, seguido de recomendação de outros familiares. Os pesquisadores dizem que isso se repete em outras regiões do país, devido ao difícil acesso aos hospitais e postos de saúde.

 

“O acesso aos profissionais adequados (médicos, dentistas e ortopedistas) é o principal fator que impulsiona a alta estatística de automodicação no Brasil – estudos demonstram que apenas 10 a 30% dos sintomas evidenciados recebem orientação médica”, afirmam.

 

Além disso, eles argumentam que é preciso uma mudança do sistema praticado nas drogarias em que atendentes sem conhecimento farmacológico realizam indicações de fármacos sem orientação responsável, o que pode ocasionar problemas irreversíveis à saúde da população.

 

Para ver o artigo na íntegra, acesse.

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