Detentos desconfiam de transferência de Marcola e fazem tumulto - WSCOM

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Policial

30/06/2006


Detentos desconfiam de transferência de

Agentes de segurança do Centro de Readaptação Penitenciário (CRP) de Presidente Bernardes tiveram de usar bombas de gás lacrimogêneo nesta quinta-feira, para acalmar os detentos internados no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) daquela unidade. Os detentos iniciaram um tumulto porque achavam que Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, tido como líder máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC) estivesse sendo transferido para o presídio federal de Catanduvas.

Na verdade, Marcola foi retirado da cela para prestar depoimento a quatro promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo e Presidente Prudente.

Por cerca de duas horas, o líder do PCC foi questionado sobre a morte do bombeiro Alberto Costa, 41 anos, assassinado na madrugada de 13 maio quando tentava avisar os colegas dos ataques do PCC na frente do quartel do 2º Grupamento de Bombeiros (GB), em Campos Elísios, Centro de São Paulo. Os promotores não quiseram falar com a imprensa, mas a reportagem apurou que Marcola negou ter mandado os ataques, muito menos a bombeiros.

Enquanto Marcola prestava esclarecimentos aos promotores, os agentes iniciaram a blitz para conter as pancadas que os detentos desferiam contra o vidro que fica atrás das grades das janelas. O vidro existe para impedir a entrada de objetos e facilitar a entrada de luz nas celas. Como os presos insistiam com o barulho, os agentes jogaram bombas de gás no corredor e em algumas celas. Ninguém ficou ferido.

“Tivemos de jogar umas bombinhas para acabar com a febre dos meninos (detentos)”, disse um agente que participou da blitz.

Na blitz que durou 3h40, policiais militares e agentes encontraram as grades de quatro portas das grades serradas pelos detentos na Penitenciária 1 de Presidente Venceslau. Também foram encontrados uma placa de telefone celular, bateria e fones de ouvido, além de uma serra.

A penitenciária possui 500 detentos e recebe apenas detentos que cumprem punição disciplinar e ficam presos por 30 dias. Lá os presos eles podem receber visitas. Mesmo assim serraram as grades para tentativa de fuga e rebelião.

O tumulto na noite de quinta-feira em Presidente Bernardes foi controlado por 70 homens da Tropa de Choque da Polícia Militar, que entraram na unidade prisional por volta das 23 h.