Depósitos na conta do caseiro, que esta semana contradisse Antonio Palocci em CP - WSCOM

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Brasil & Mundo

18/03/2006


Depósitos na conta do caseiro,

Matéria do site da revista Época divulgada ontem à noite tentou minar a credibilidade do discurso adotado até agora por Francenildo dos Santos Costa, o humilde caseiro que desmentiu esta semana a versão do inabalável Antonio Palocci, de que o ministro da Fazenda jamais freqüentou a “casa do lobby” montada por lobistas de Ribeirão Preto. Em vez de relevar uma eventual propina para que Nildo acusasse Palocci, a matéria expôs outro drama da vida cotidiana: Nildo, filho bastardo, luta pelo reconhecimento do pai.

Extratos bancários obtidos pela revista revelaram que Francenildo recebeu, de janeiro para cá, R$ 38.860 em dinheiro vivo em uma conta que ele mantém na Caixa Econômica Federal, numa agência do Lago Sul, próxima à casa onde ele trabalha e mora. A reportagem não informou de quem e como obteve quebra de sigilo das contas de Nildo – cuja divulgação dos dados, sem autorização da Justiça, é ilegal.

Francenildo, por meio do seu advogado Wlício Chaveiro Nascimento, reconheceu os depósitos. De acordo com o caseiro, eles foram resultado de uma doação familiar. O advogado levou um susto no primeiro contato da revista. “Não sabia que ele tinha dinheiro. Estou defendendo ele de graça.”

“Ele é filho bastardo do empresário Euripedes Soares da Silva, dono de uma empresa de ônibus em Teresina. O pai mandou este dinheiro em segredo, porque a família não sabe que ele ajuda o Francenildo”, disse posteriormente o advogado à revista.

O empresário Euripedes Soares confirmou à Época que fez os depósitos para Nildo, contudo, negou ser o pai do rapaz. “O sobrenome dele é muito diferente do meu para eu ser pai dele”, disse. Ele afirma que só vai explicar o motivo do depósito “depois de falar com um advogado”.

Segundo o caseiro, seu pai mandou R$ 25 mil. O saque de R$ 15 mil teria sido para comprar um carro. “Ele desistiu de comprar o veículo e depositou de novo boa parte do dinheiro, cerca de R$ 13 mil”.

Nildo se defende e suspeita de vazamento da PF

Após a divulgação da matéria no site, o caseiro e seu advogado convocaram uma coletiva com a imprensa para esclarecer os depósitos. Nildo apresentou dados que mostrariam que os depósitos se restringiriam a R$ 24.990 – e não R$ 38 mil – e seria parte de um acordo que fez com seu pai. Faltaria receber dele, como parte do acordo, outros R$ 5 mil.

Pelo acerto com o pai, o caseiro deixaria de cobrar o reconhecimento da paternidade de Eurípedes em troca da ajuda financeira.

Nildo contou durante a coletivas que um delegado pediu-lhe informações pessoais, como número da identidade, do CPF e o cartão do banco. No mesmo dia, havia recebido a recomendação da Polícia Federal para não dar entrevistas.

De posse dos documentos, esse delegado poderia ter tido acesso à conta. “Eu acho que pode ter sido eles que vazaram. Eu não tirei o meu extrato e vazei para a imprensa”, afirmou o caseiro. “Nem minha companheira tem acessa à minha conta. Então, como pode?”, disse Francenildo.

“O que mais posso esperar?” – O caseiro mostrou-se assustado com o que aconteceu e afirmou temer por sua vida. “Mexeram nas minhas contas. O que mais posso esperar? Me sinto invadido”, declarou, com olhar atônito diante das perguntas.

Assim como fez na CPI dos Bingos, ele negou ter recebido dinheiro para fazer as denúncias contra o ministro. “Eu não preciso disso. Me sinto derrotado, me sinto humilhado. Estou falando só a verdade. Pode vir dinheiro e dinheiro que a minha honestidade não conta”, afirmou.

O roteiro de viagem – Nildo apresentou uma passagem que mostra que teria viajado no dia 26 de dezembro do ano passado para o Piauí para se encontrar com o pai. O empresário teria se negado a reconhecer Nildo como seu filho, mas disse que daria R$ 30 mil para que “seguisse a vida”.

No dia 6 de janeiro, o empresário deu R$ 10 mil em espécie – que teria sido depositado numa conta na Caixa. No dia 9 de janeiro, o caseiro sacou R$ 2.500 para comprar um lote.

No dia 6 de fevereiro, o caseiro recebeu outro depósito, feito pelo pai no valor de R$ 9.990 – o comprovante, segundo o caseiro, ficou com o pai. No dia 7 de fevereiro ele tinha aproximadamente R$ 16.500 em conta.

Depois, ele disse que sacou R$ 15 mil, mas se arrependeu e volta a depositar R$ 10 mil na conta. Dos R$ 5 mil restantes, teria voltado a depositar R$ 3.870. No dia 6 de março mais R$ 5 mil teriam sido depositados pelo pai. No total, Nildo teria recebido R$ 24.990. O pai ainda teria de depositar mais R$ 5.010 em sua conta.

O advogado que defende Nildo afirmou que a revista “Época”, que divulgou a movimentação bancária do caseiro, não levou em consideração os saques e posteriores depósitos dos mesmos recursos. Por isso teria chegado à cifra de R$ 38 mil.

O advogado diz que se for comprovada a suspeita de que o sigilo de Nildo foi quebrado e vazado à imprensa, ele entrará com uma ação contra os responsáveis. As suspeitas recaem sobre a PF, que lhe dava proteção policial após a sessão da CPI de quinta-feira.

Apesar de toda a confusão e a suspeita de que tenha sido vítima de uma armação da PF, Nildo diz que votará no presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro.

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