Degradação e poluição ameaçam Rio que abastece Capital da Paraíba - WSCOM

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Paraíba

14/07/2016


Degradação e poluição ameaçam Rio na PB

RIO GRAMAME

Foto: autor desconhecido.

Por Pedro Callado

"O rio é muito importante, sem ele a gente não vive”. As palavras são do jovem Alexandre Douglas, de 11 anos, que frequenta a Escola Viva Olho do Tempo no Vale do Rio Gramame. A observação da criança é simples, mas fundamental. A água é o princípio da vida, e o que está acontecendo no Gramame, que percorre 54 km até desaguar no sul do município de João Pessoa, está acabando com a vida local.

O Rio Gramame é a principal fonte de abastecimento de água para a população de João Pessoa, capital da Paraíba. A água, antes de ser distribuída para a população, passa por um tratamento. Entretanto, se a poluição for profunda, não há tratamento que resolva. A situação é crítica. No estado da Paraíba, diversos municípios correm risco de sofrer um colapso total devido aos duros anos de seca que baixaram o nível das barragens a menos de 10%. Não é o caso de João Pessoa e dos municípios do litoral, mas o colapso pode vir de outra forma. As águas do Gramame podem ficar impróprias para o consumo humano.

Mas o que está acontecendo com o rio? A partir dos anos 80 diversas empresas começaram a se instalar nas margens do rio e a fazer o despejo de rejeitos químicos direto nas águas do Gramame. Além disso, as plantações de cana-de-açúcar tiraram espaço da mata ciliar, essencial para a preservação do rio. Há ainda o lixo depositado pelas comunidades ribeirinhas.

Monitoramento de qualidade

Com a degradação do rio, um Fórum Permanente de Proteção foi formalizado com diversos órgãos, entre eles o Ministério Público Federal, o Ministério Público da Paraíba, o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Secretaria de Meio Ambiente do Município de João Pessoa (Semam), a Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), a Universidade Federal da Paraíba (UFPB). As ONGs que lutam pela preservação da bacia do Gramame, como a Escola Viva Olho do Tempo (Evot), também integram o Fórum, assim como as indústrias têxteis, instaladas nas proximidades do Rio Gramame, que devem colaborar com as ações propostas no fórum. De acordo com Maria Bernadete Gonçalves, presidente da Evot, ficou acordado com a UFPB uma análise da qualidade da água do Gramame e, a partir do relatório da pesquisa, seriam definidas ações.

A luta para salvar o Rio Gramame ganhou o apoio da Organização Não Governamental SOS Mata Atlântica, que mensalmente monitora a qualidade das águas. O monitoramento é realizado pelo programa Observando Rios, que funciona desde 1991 no estado de São Paulo, mas só chegou no Nordeste no ano passado. A coordenadora regional da SOS Mata Atlântica, Vivian Maitê, explicou que é imprescindível manter a qualidade da água dos rios, não apenas por causa do consumo, mas também porque a poluição gera doenças. “Até as epidemias, como da dengue, zika e chikungunya, são decorrentes da má qualidade de água”. A luta não é recente, em 2005, o rio também recebeu atenção de grupos de defesa do meio ambiente, na época foram encontrados até metais pesados nas águas

No início do ano foi observado uma coloração azulada no rio. A equipe de monitoramento do Rio Gramame, tem verificado também que as águas estão com uma altíssima contaminação de fosfato. O elemento em questão é muito comum em esgoto doméstico, utilizado em produtos químicos de limpeza, como o detergente. Também foi observada a presença de uma planta conhecida como pasta, ela é um bio indicador da falta de oxigênio nas águas. A proposta para o diagnóstico e monitoramento ambiental das bacias dos rios Gramame. vai custar cerca de R$ 654 mil, no sentido de criar uma base de dados sobre os principais problemas que estão interferindo na qualidade da água que abastece a Grande João Pessoa. A execução do projeto começou em janeiro de 2016.

Escola Viva Olho do Tempo

A Escola, que faz parte do Fórum permanente de monitoramento do Rio Gramame, procura difundir entre crianças e adolescentes o respeito aos bens naturais e aos valores humanos. A Evot procura com isso fazer com que os moradores do Vale do Gramame estejam em sintonia com a discussão em voga hoje no planeta, a qualidade de vida a valorização da cultura e da preservação do meio ambiente. 

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