Crise política pode conter alta de combustíveis - WSCOM

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Economia & Negócios

06/08/2005


Crise política pode conter alta

A crise política, como fator que poderá inibir a sanção governamental a um eventual aumento dos combustíveis, ajudará a compor um cenário inflacionário que já comporte a redução da Selic em agosto. Essa é a avaliação que fazem alguns analistas do mercado consultados pela Agência Estado. “Pode quebrar a Petrobras, mas o governo não vai sancionar o aumento dos combustíveis.

O presidente Lula tem ido para as portas das fábricas e sabe que o povo não gosta de aumento dos combustíveis”, define uma das fontes, reparando que se quando o cenário era mais tranqüilo o governo não reajustou o preço da gasolina, não será agora que o mesmo será autorizado.

Ainda no tocante à inflação, os economistas entendem que os índices baixos, com o IPCA caminhando para uma taxa de 0,30% ao mês e os núcleos ao redor de 0,50%, com tendência de baixa, só um avanço inesperado da atividade poderia justificar por mais um mês a manutenção da Selic nos atuais 19,75% ao ano. No entanto, afirmam os analistas, qualquer que seja a decisão do Copom ela não poderá ser associada à pressões políticas.

“O BC é formado por pessoas sérias e suas decisões até agora não tem sido tomadas por força de pressões políticas”, diz uma das fontes. Os fatores que compõem o cenário inflacionário considerado pelo Copom é que podem estar sujeitos à política.

O IPEA, ressalta uma das fontes, trabalha com uma projeção de 1,8% de crescimento da produção industrial em junho em relação a maio e de 6,6% no confronto com o mesmo mês do ano passado. “Mas eu não sei se esta é uma verdade diante desta crise política”, diz um analista, para quem poderá haver uma piora das expectativas e algum impacto nos negócios.

O próprio Banco Central trabalha com um crescimento da produção industrial de 1,30%, o mesmo número de maio. Mas apesar dos bons números divulgados hoje sobre as vendas reais, emprego, utilização da capacidade instalada da indústria, diz um dos analistas, o segmento de equipamentos e máquinas agrícolas está abaixo do previsto e a qualquer hora vai bater na capacidade produtiva.

Pesquisa feita pela Agência Estado junto a um grupo de 10 instituições financeiras (ver nota às 10h03) aponta para um crescimento da produção industrial de 0,50% a 1,80%, com mediana de 1,30%.

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