CPI encontra US$ 300 mil a mais em contas de Duda no exterior - WSCOM

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Brasil & Mundo

02/03/2006


CPI encontra US$ 300 mil

Os integrantes da CPI dos Correios encontraram uma diferença de cerca de US$ 300 mil na conta Dusseldorf, do publicitário Duda Mendonça, aberta no BankBoston de Miami (EUA). No ano passado, Duda admitiu em depoimento à CPI ter recebido o equivalente a R$ 10,5 milhões do caixa 2 do PT para pagamento de serviços prestados na campanha eleitoral do partido de 2002.

A diferença de valor foi detectada na primeira consulta dos integrantes da CPI aos documentos enviados pela promotoria Distrital de Nova York sobre as contas de Duda no exterior. A autorização para a CPI consultar os dados saiu apenas no dia 23 de fevereiro. A CPI também teve acesso aos dados de mais 15 contas que abasteceram a Dusseldorf.

Os documentos já estavam com o Ministério da Justiça e o Ministério Público há mais de três meses, mas não haviam sido liberados para a CPI porque a Justiça norte-americana temia o vazamento de informações para a imprensa.

Além da diferença entre os valores recebidos na conta Dusseldorf, os integrantes da CPI também encontraram outras diferenças entre o depoimento de Duda e os documentos enviados pela promotoria Distrital de Nova York.

“Nós temos condição, numa primeira análise, de dizer que há discrepância entre as afirmações de Duda e o que está sendo investigado”, disse o relator da CPI, Osmar Serraglio (PMDB-PR). “Há suspeita fortíssima de que ele não tenha falado à verdade [sobre o valor].”

Em seu depoimento à CPI, Duda disse que abriu a conta Dusseldorf a pedido do empresário Marcos Valério de Souza, acusado de ser o operador do suposto “mensalão”. Valério negou a informação. Para a CPI, Duda pode ter mentido sobre essa questão.

A sócia de Duda, Zilmar Fernandes, também afirmou ter aberto a conta no exterior a pedido do de Marcos Valério. O acerto teria sido feito em março em conversa entre Zilmar e Valério.

“Quando foi em início de março, o Marcos Valério, disse-me que estava bastante difícil fazer os pagamentos e que eu precisaria fornecer para ele um número de conta lá fora, no exterior, para que ele pudesse fazer os pagamentos, que basicamente teria que ser assim”, disse Zilmar à CPI em agosto do ano passado.

A investigação da CPI, porém, mostrou que a conta foi aberta em fevereiro. Ou seja: um mês antes da suposta conversa em que teria sido acertada a abertura da conta. “Essa é a verdade que está posta agora [de que a conta foi aberta a pedido de Marcos Valério]. Entendemos que ela não será a verdadeira [até o final da investigação]”, afirmou Serraglio.

Segundo o relator-adjunto da CPI dos Correios, deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), há indícios de que Duda não disse toda a verdade em seu depoimento para a CPI. “A gente confirmou algo que ao longo do tempo vem se mostrando. Que ele não vem falando a verdade”, disse.

Novo depoimento de Duda

Serraglio já pré-agendou para o dia 15 deste mês um novo depoimento de Duda para a CPI. A audiência tende a ser secreta.

Ele afirmou que se os integrantes da comissão questionarem Duda sobre os dados sigilosos apurados por autoridades americanas, o depoimento não poderá ser aberto à imprensa.

Isso porque, nas conversas entre CPI e o governo dos Estados Unidos, ficou acertado que os dados seriam utilizados apenas no relatório final da comissão, que deve ser apresentado no próximo dia 20.

Na próxima sexta-feira, a CPI fará um relatório parcial sobre os documentos da Dusseldorf e de outras 15 contas que abasteceram a offshore.

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