Couto pede afastamento de Efraim da CPMI; senador diz que há indicios e pode faz - WSCOM

menu

Política

25/08/2005


Couto pede afastamento de Efraim

O deputado federal Luiz Couto (PT), defendeu a saída do senador Efraim Morais (PFL) da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Bingos. Segundo o deputado, Efraim teria induzido membros da CMPI com “depoimentos inverídicos” da ex-secretária de finanças de Campina Grande, Aleni Rodrigues. Efraim, procurado pela Redação do Portal WSCOM Online, afirmou que as informações são legítimas e irá providenciar a convocação de Aleni e da ex-prefeita Cozete para uma acareação.

Segundo Luiz Couto, “foi uma postura anti-etica, parcial e irresponsável a do senador, a bancada petista do Senado precisa tomar uma providência para denunciá-lo por falta de decoro parlamentar. Ele deve ser julgado na comissão de Ética e afastado da presidência da CPI dos Bingos”, disse.

Efraim, no contraponto, disse que a atitude do deputado é de desespero. “Deputado não tem voz nesta CPI. Tenho informações de dois jornalistas paraibanos sobre esta matéria. Vou tentar esclarecer os fatos. Amanhã estou solicitando todos os depoimentos de Cozete e Aleni em relação aos recursos públicos da prefeitura de Campina Grande. Se ela pagou R$ 800 mil a Duda Mendonça isso justifica a convocação”, argumentou o senador.

Couto enfatiza que a própria Aleni e o promotor que cuida do caso, Clístenes Holanda, negaram que a ex-secretária tenha ao menos citado o nome de Marcelo Sereno e do ex-ministro, assim como, também, não falou em desvio de dinheiro para nenhum membro do PT nacional.

“O senador Efraim Morais não tem condições de permanecer à frente da CPI dos Bingos, pois está fazendo da presidência da CPI um palanque eleitoral. A sua postura não foi a de um magistrado, que é o verdadeiro papel do presidente de uma CPI. Ele não pode aproveitar a presidência da CPI dos Bingos para induzir fatos desonestamente e transformar o debate em disputa pequena, localista. O seu papel é de investigar com imparcialidade e não de tomar partido. Ele não poderia nunca ter lançado fatos inverídicos, como é o caso, só para fazer disputa eleitoral localizada e aparecer na mídia”, criticou o deputado.

Efraim rebate e diz que Sites nacionais denunciaram Caso Campina

O senador Efraim Morais disse nesta quarta-feira ao WSCOM Online, que as declarações de uso dinheiro do PT para pagamento de campanha está em sites nacionais, como o Terra.

Ele disse que reproduziu essas informações e de dois jornalistas da Paraiba, portanto, não tem receios de nada nem das declarações de Couto que, segundo ele, não tem influência na CPMI dos Bingos. “Se for o caso vamos fazer a acareação entre a Cozete e a Aleni”.

“Se alguém não pode falar em ética é o PT. Estou tranqüilo. Acredito que existem fatos que comprovam o uso do dinheiro público na prefeitura de Campina na administração de Cozete, e pra mim isso é suficiente”.

No meio da noite, a assessoria do senador encaminhou ao portal o teor da noticia no site Terra:

Marcelo Sereno depõe na CPI dos Bingos

“O ex-assessor especial da Casa Civil e ex-secretário de Comunicação do PT Marcelo Sereno caiu em contradição quando disse, no início de seu depoimento à CPI dos Bingos, que nunca tratou de assuntos políticos envolvendo o PT quando estava no Palácio do Planalto – de 2003 a maio de 2004 – e depois reconheceu que chegou a tratar “umas duas vezes” com o empresário Marcos Valério de Souza dentro da Casa Civil sobre campanhas petistas no Rio de Janeiro, nesse período.

Segundo Sereno, Valério queria se aprofundar no marketing político por meio de suas agências e sabia de sua “influência política” dentro do PT fluminense. O empresário acabou fazendo a campanha do partido para a prefeitura de Petrópolis no ano passado.

“Não estou me contradizendo. Efetivamente cheguei a conversar com ele, mas já tinha a disposição de sair da Casa Civil para me dedicar à militância política”, disse Sereno, procurando se defender.

Sereno afirmou que “jamais” manteve contato com Waldomiro Diniz durante a última campanha eleitoral. Ele negou que Waldomiro fosse uma espécie de elo entre as campanhas à Presidência da República de Luiz Inácio Lula da Silva e de Anthony Garotinho, visando um possível apoio deste último a Lula, em um eventual segundo turno.

Sereno afirmou que não ajudou a canalizar recursos para a campanha de Garotinho em troca desse virtual apoio político. Em depoimento na CPI dos Correios, Luiz Eduardo Soares, candidato a vice na chapa de Benedita da Silva, garantiu que Sereno era um dos principais arrecadadores de recursos para campanhas eleitorais, inclusive em nível nacional. Sereno disse que isso é uma mentira.

Segundo Sereno, não é verdade que ele tenha sido tesoureiro da campanha de Benedita da Silva ao governo do Estado do Rio de Janeiro. Ele informou que, no período, era apenas secretário-executivo do gabinete de Benedita, “e que não tinha tempo para tomar conhecimento de campanhas e muito menos de recursos destinados a campanhas”.

O ex-assessor confirmou que era homem de confiança do ex-ministro José Dirceu. Ele negou a existência de qualquer “caixa dois” na Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), com o objetivo de viabilizar campanhas eleitorais em 2002, incluindo a de Benedita da Silva ao governo do Estado.

“Nunca”, “não” e “jamais” foram as palavras mais usadas por Sereno ao longo do depoimento, irritando os senadores. Sereno estava protegido por um habeas-corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que garantiu a ele o direito de ficar calado diante de perguntas que poderiam comprometê-lo em futuras ações judiciais, evitando inclusive uma possível prisão.

Marcelo Sereno – que já teve seus sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados pela CPI – disse ainda que nunca ouviu falar no nome de Rogério Buratti. E encara os últimos acontecimentos como um momento de “grande denuncismo”.

Mais cedo, o relator da CPI dos Bingos, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), disse que o objetivo da comissão era descobrir se Sereno arrecadou recursos das casas de bingo do Rio de Janeiro quando foi tesoureiro da campanha de Benedita da Silva. A CPI também queria esclarecer quais eram as atribuições de Sereno na Casa Civil e se ele indicou pessoas para ocupar cargos nos fundos de pensão.

Suspensão do depoimento

O senador Juvênio da Fonseca (PDT-MS) chegou a propor a suspensão do depoimento de Marcelo Sereno. “Todo o trabalho de investigação que estamos fazendo pode ser nulo porque o senhor (Marcelo) Sereno chega aqui com um habeas-corpus e pode nos tratar como idiotas”, protestou.

O depoimento do procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU, Lucas Furtado, que estava previsto para a tarde de hoje, foi transferido para quinta-feira, por problemas de agenda do procurador”.

Notícias relacionadas