Corrupção ameaça entrada do Brasil na liga dos ricos, diz OCDE - WSCOM

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Internacional

17/10/2005


Corrupção ameaça entrada do Brasil

A corrupção pode ser um obstáculo para que os chamados BRICs (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China) entrem para o grupo privilegiado das grandes economia do mundo nas próximas décadas, segundo o chefe da Divisão Anticorrupção da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Patrick Moulette.

“A corrupção é um problema muito sério que os BRICs e outros países deveriam levar em conta, pois põe em risco o crescimento sustentado a longo prazo”, diz ele.

“Por isso, países que estão em alto estágio de desenvolvimento, que estão saindo do estágio de desenvolvimento para o de desenvolvido, deveriam levar essa questão muito a sério.”

Moulette explica que nos últimos anos, depois do lançamento da convenção contra a corrupção da própria OCDE e da Organização das Nações Unidas (ONU), houve uma mudança de mentalidade em relação ao problema da corrupção no mundo.

Atualmente, segundo ele, existe a consciência cada vez maior entre os países de que se parecem ter risco elevado em termos de corrupção, podem esperar uma queda nos investimentos diretos estrangeiros.

Desigualdade – “As próprias empresas não vão querer correr o risco de aceitar pagar suborno para não correrem o risco de ser processadas no país de origem delas por causa do pagamento dessas propinas”, diz.

Para ele, a corrupção também contribui para piorar os problemas sociais dos países.

“A corrupção agrava a desigualdade dentro dos países pelo simples fato de que desvia os recursos dos programas de governo que valem a pena do ponto de vista social e econômico”, observa.

“O suborno e o resultado do suborno não obedecem nenhuma lógica econômica, eles seguem apenas os objetivos criminosos individuais. Portanto, é comum que práticas corruptas também corroem a sociedade civil em todos os seus aspectos.”

Corrupção nos ricos – Moulette discorda das avaliações existentes que ligam a corrupção os estágio de desenvolvimento dos países.

Segundo ele, para existir corrupção, “é preciso haver as pessoas que pagam ou oferecem o suborno e as que recebem”.

Normalmente, na sua avaliação, os que pagam subornos estão em empresas dos países desenvolvidos.

“É fácil dizer que os países em desenvolvimento são corruptos, mas não é verdade”, insiste.

Ele também não endossa a percepção de que existem mais casos de corrupção nos países em desenvolvimento do que nos desenvolvidos.

“Mesmo na Europa, e eu não vou mencionar nomes, há histórias de corrupção no mundo da política. Talvez não nos países do norte, mas há casos em outros países. A questão básica é que qualquer país pode ser afetado por corrupção”, diz.

Moulette diz que a resposta dos países para o problema da corrupção no mundo ainda é lenta.

Apenas 30 países ratificaram a convenção da ONU contra a corrupção. Dos quatro BRICs, apenas o Brasil assinou e ratificou a convenção contra corrupção da OCDE, segundo ele.

O Brasil também é integrante do grupo de combate à corrupção da OCDE.

Em 2006, a OCDE vai fazer uma análise profunda da corrupção no Brasil, como vem fazendo dos demais países que ratificaram a sua convenção.

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