Conselho vota hoje parecer de cassação de José Dirceu - WSCOM

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Brasil & Mundo

27/10/2005


Conselho vota hoje parecer de

O deputado José Dirceu (PT-SP) enfrenta hoje outra batalha, sem o apoio do governo, na tentativa de manter seu mandato. Pela manhã, por volta das 9h, o Conselho de Ética da Câmara inicia a discussão e votação do parecer do deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que pede a cassação do petista por quebra de decoro parlamentar.

Na imprensa, é grande a possibilidade de aprovação, deixando o futuro político de Dirceu nas mãos do plenário, em sessão a se realizar possivelmente em novembro.

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As perspectivas de derrota no Conselho se justificam pelo golpe sofrido ontem pelo ex-ministro, em outra tentativa de evitar sua cassação. Na quarta-feira, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) rejeitou, por 39 votos a 15, parecer do deputado Darci Coelho (PP-TO) solicitando a suspensão do processo. Dirceu, que projetava cerca de 30 votos favoráveis, viu parlamentares da base aliada como PP, PL e PSB votarem contra ou se ausentarem da sessão.

Apesar de José Dirceu ameaçar com outro recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), confirmou a votação do parecer. Serão necessários pelo menos oito votos para que a proposta seja aprovada e encaminhada para apreciação do plenário.

Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, é acusado de comandar o suposto esquema do “mensalão”, a fim de comprar votos de parlamentares para aprovar projetos de interesse do governo. Ele nega todas as acusações e já recorreu, sem sucesso, duas vezes ao Supremo para barrar o processo, alegando que as denúncias se referem à época em que era ministro.

Porém, na última apelação, o deputado conseguiu que o relator Júlio Delgado retirasse de suas conclusões os trechos baseados em informações de quebra de sigilo obtidas pela CPI dos Correios.

O presidente Ricardo Izar descartou a necessidade de leitura da nova versão do relatório, com as alterações solicitadas pelo STF, e afastou a possibilidade de novo adiamento da votação, apesar de a petista Ângela Guadagnin (SP) demonstrar disposição em pedir, novamente, vistas do processo. Pelas regras, Izar poderia ainda estender o mesmo por mais 90 dias.

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