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Policial

24/03/2018


Confronto durante operação da PM na Rocinha deixa 8 mortos

Segundo a PM, havia patrulhamento quando houve confronto com criminosos na manhã deste sábado (24). Parentes relatam que vítimas não tinham relação com tráfico. Polícia investiga reforço de traficantes de outras regiões na Rocinha

Foto: autor desconhecido.

Uma operação policial na Favela da Rocinha, Zona Sul do Rio, no início da manhã deste sábado (24) terminou em confronto e deixou pelo menos oito mortos.

Segundo a PM, os policiais do BPChoque faziam patrulhamento para encontrar suspeitos da morte do soldado Felipe Mesquita e do morador da favela, Antônio da Silva, o Marechal, mortos em confronto na quarta-feira (21), quando foram recebidos por tiros e reagiram.

Moradores relataram intenso tiroteio, que teve início por volta das 5h30. A polícia afirma que as vítimas tinham envolvimento com o tráfico de drogas, mas moradores e parentes relatam que não houve reação e as vítimas não tinham ligação com o tráfico de drogas.

A corporação informou que os policiais entraram em confronto com criminosos em pelo menos dois pontos da comunidade: na Rua 2 e na localidade conhecida como Roupa Suja. Com eles a polícia apreendeu 01 fuzil, 07 pistolas e 02 granadas. Os policiais militares estão sendo ouvidos na Delegacia de Homicídios e as armas deles serão apreendidas.

Mortos em hospital e passarela

  • Na primeira informação ainda na manhã deste sábado, a Polícia Militar disse que seis criminosos feridos foram encontrados e levados para o Hospital Miguel Couto, também na Zona Sul.
  • No início da tarde, a secretaria municipal de Saúde informou que sete pessoas vítimas de disparos de armas de fogo na Rocinha deram entrada no Miguel Couto já mortas.
  • Por volta de 15h, a Polícia Civil informou que oito pessoas foram mortas na Rocinha. Segundo nota, seis foram levadas para o Miguel Couto pela manhã e no ínicio da tarde outros dois corpos foram transportados por moradores até a passarela que liga a favela à Vila Olímpica, onde ficaram até a chegada dos peritos.

Investigação: tráfico envia reforços

Policiais da 11ª DP (Rocinha) confirmaram ao G1 que criminosos da mesma facção que atualmente comanda o tráfico de drogas da Rocinha enviaram reforços à comunidade. De acordo com as investigações, traficantes das favelas do Rodo e Antares, em Santa Cruz, na Zona Oeste, e do Borel, na Tijuca, na Zona Norte, também estão atualmente na favela em São Conrado. O objetivo é impedir a tentativa de retomada da favela por facções rivais e auxiliar na segurança do tráfico local.

A informação foi confirmada nesta quinta-feira (22), quando Luciano Matheus Cardoso dos Santos (vulgo LC), Alexandre de Oliveira Sebastião (vulgo Grandão) e mais dois adolescentes foram presos por associação ao tráfico de drogas da comunidade da Rocinha. Um dos depoimentos confirmou o auxílio de traficantes de Santa Cruz.

O Borel foi uma das comunidades em que Rogério 157, que mudou de facção na disputa que atingiu a comunidade em setembro do ano passado, se escondeu após ter deixado a Rocinha. Rogério foi preso na comunidade do Arará, em Benfica, em dezembro de 2017. O traficante iniciou a disputa com Antonio Bonfim Lopes, o Nem, seu ex-companheiro, para assumir o controle do tráfico na região.

‘Chegaram esculachando’

Parentes das vítimas começaram a chegar no hospital por volta das 11h. A maioria não quis gravar entrevistas, mas relataram que vítimas saíam de um baile funk na comunidade quando ocorreu o confronto.

O pai de Matheus da Silva Duarte de Oliveira, de 19 anos, contou que o filho foi baleado nas costas. Ele afirmou que o rapaz não tinha envolvimento com a criminalidade e que participava de um baile funk na localidade conhecida como Roupa Suja quando os policiais militares chegaram no local, por volta das 5h50.

“Mataram meu filho. Tinha 19 anos. Sou trabalhador, sou cobrador de van. Eles já chegaram esculachando morador, dando tapa na cara. Mataram meu filho com um tiro nas costas”, disse Márcio Duarte de Oliveira.

Ele acrescentou que o filho estava procurando emprego e que ele sempre dava dinheiro para o filho se divertir no baile funk.

Quase 50 criminosos mortos em seis meses

A Rocinha é alvo de operações constantes desde setembro do ano passado, quando teve início uma guerra entre facções criminosas rivais na comunidade. De acordo com o porta-voz da Polícia Militar, Major Ivan Blaz, neste período foram presos mais de cem criminosos e apreendidas mais de 200 armas.

Além disso, segundo o oficial, 48 criminosos foram mortos. “Infelizmente os marginais da Rocinha insistem em enfrentar a Polícia Militar”, disse o porta-voz da corporação.

Segundo o Major Ivan Blaz, participam da ocupação cerca de 550 policiais militares e não há possibilidade de emprego de mais homens nestas ações.

“Estamos tirando dia a dia as armas e os criminosos dessa localidade. Hoje é fundamental que possamos ter métodos eficazes para podermos retirar esses marginais das atividades criminosas, seja através de projetos sociais, ou seja através de ações policiais”, enfatizou Blaz.

PM e morador mortos

Na quarta-feira (21), outro confronto na Rocinha deixou um policial militar e um morador da comunidade mortos durante troca de tiros.

As vítimas foram o soldado Filipe Santos Mesquita e o ambulante Antônio Ferreira da Silva, de 70 anos, conhecido como Marechal.

Segundo informações de testemunhas, Marechal teria tentado proteger o PM, após este ter sido baleado, e ainda devolveu o fuzil do policial aos outros militares. A Polícia Civil investiga o caso.

“Recebemos essa informação. Há uma possibilidade de isso ter ocorrido, mas ainda precisamos fazer novas diligências e avançar com a investigação para podermos confirmar que isso foi de fato o que aconteceu”, disse o delegado da Divisão de Homicídios, Breno Carnevale.

O soldado Filipe de Mesquita sonhava desde criança em ser policial militar, inspirado pelo exemplo do pai. “Ele era muito do bem. Tinha essa ideia de mudar o mundo”, contou à BBC Brasil a designer Letícia Miranda, amiga de infância e vizinha do policial que trabalhava na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha.

Marechal vendia ferro-velho

Marechal era morador antigo da Rocinha e vendia ferro-velho e consertava eletrodomésticos na comunidade. A Polícia Militar disse que PMs da Unidade de Polícia Pacificadora foram atacados por bandidos no Largo do Boiadeiro, um dos principais acessos da comunidade. Os policiais faziam um patrulhamento de rotina antes de o confronto começar.

G1

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