Em artigo, professor Erik Figueiredo analisa discurso nas eleições presidenciais: "O povo brasileiro é extremista?" - WSCOM

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Economia & Negócios

11/10/2018


Em artigo, professor Erik Figueiredo analisa discurso nas eleições presidenciais: “O povo brasileiro é extremista?”

Foto: autor desconhecido.

O professor Erik Figueiredo analisa, nesta quinta-feira (11), o discurso dos brasileiros nas eleições presidenciais desse ano. No artigo, o economista aponta que os brasileiros não têm opiniões “extremistas” e explica o comportamento da população.

O artigo semanal é uma parceria do Departamento de Economia da UFPB com o Grupo WSCOM.

Confira na íntegra:

O povo brasileiro é extremista?

Nunca se falou tanto sobre as ditas “opiniões extremas” como nesta eleição presidencial. Analistas políticos passam horas divagando sobre os efeitos práticos de algo tão anormal e, por conseguinte, nocivo para a sociedade. Discussões acaloradas são travadas nas redes sociais e pessoas se desentendem nos pontos de ônibus. Aparentemente vivemos sob um caos (…) Calma gente, isso não é verdade. Em primeiro lugar devemos definir o que é uma opinião extrema ou uma atitude extremista. De uma forma simples, uma observação extrema é aquela que destoa da opinião da média da sociedade. Por exemplo, um texano acha normal portar armas em público. Um Novaiorquino não. Logo, alguém do Texas seria visto como um radical na sociedade de Nova Iorque.  Da mesma forma, alguém que não admite atrasos em compromissos é taxado como extremista caso conviva em uma sociedade permissiva em relação a eles. 

 

Feito esse breve relato, retornemos ao debate político brasileiro. Por aqui, uma opinião extremista possui duas características principais: 1) é sempre taxada de forma pejorativa, pois, nunca classificamos um radical de forma cordial e; 2) o radicalismo só é identificado quando caminhamos à direita do espectro político. À  esquerda não há extremo. A violação a qualquer regra em média vindo do lado canhoto é vista como progressismo. Duvidam? Então vejam os esforços empreendidos para dar ares de normalidade ao comportamento pedófilo (ainda tímidos, mas não por muito tempo). 

 

Pois bem, façamos uma breve análise sobre o comportamento extremista no discurso político recente, ou melhor nas opiniões daquele que a imprensa ama odiar: o candidato vitorioso do primeiro turno, Jair Bolsonaro do PSL. Na opinião dos analistas, Bolsonaro é extremista, entre outras coisas por: a) sugerir punições severas para bandidos; b) apoiar a família e as práticas religiosas; c) ser contra o aborto; d) ser contra a sexualização das crianças nas escolas, a famosa ideologia de gênero. Evidente que os leitores (caso existam) podem elencar outras mais, mas me concentrarei nessas que julgo as principais.

 

Para que os analistas e as discussões de Facebook e Twitter tenham fundamento, teremos que demonstrar a atitude extrema de Jair nesses tópicos. Ou seja, para ser radical ele deve divergir (e muito) da opinião média da população. Isso é verdade? Adianto: não é! Vamos aos fatos:

 

  1. em maio de 2018, a BBC publicou uma pesquisa relatando que 66% dos brasileiros defendem punições mais severas contra bandidos (https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44148576). Nessa mesma linha, o DATAFolha apurou que 84% dos brasileiros apoiam a redução da maioridade penal (http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/04/87-dos-brasileiros-sao-favor-da-reducao-da-maioridade-penal.html). Nem é preciso dizer que não há descompasso entre as ideias do candidato do PSL e as da maioria da população, logo, extremismo está longe desse ponto;

 

  1. Em relação ao tópico “b”, o IBGE atesta que cerca de 87% da população brasileira é cristã. Logo, não há extremismo algum em apoiar as práticas religiosas;

 

  • Passemos para o item “c”, em pesquisa recente, o mesmo DATAFOLHA informou que 59% da população é contra a mudança na legislação do aborto (https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/maioria-dos-brasileiros-e-contra-a-legalizacao-do-aborto-no-pais-confirma-pesquisa-2guhke1vem51qorqoyca8z3ow/). Novamente, não há descompasso entre a visão da maioria da população e as opiniões do Bolsonaro.

 

  1. No que se refere a ideologia de gênero, os brasileiros são massivamente contrários: 87% dizem um sonoro não a essa prática (https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/exclusivo-pesquisa-mostra-rejeicao-dos-brasileiros-a-ideologia-de-genero-nas-escolas-a69umi8p0hvhwv11iee04e4fy/).

 

Diante desses números seria infantil taxar as opiniões do candidato à presidência da República como extremistas. O extremo não está aí. Pelo contrário, essas são exatamente as opiniões do povo brasileiro. Certamente, elas são muito diferentes das opiniões das redações de jornais e da classe artística. Estes parecem residir na cauda da distribuição probabilística fingindo representar o povo. Lamento, mas não representam. Diante disso, não é dificil concluir que a esquerda é que é radical e extremista. A esquerda é a verdadeira ameaça a nossa democracia.