Colonos judeus ameaçam abrir fogo contra soldados em Gaza - WSCOM

menu

Internacional

18/08/2005


Colonos judeus ameaçam abrir fogo

Soldados entraram nesta quinta-feira na colônia de Kfar Yam –uma das que abrigam maior número de judeus de extrema direita– para iniciar a retirada forçada dos colonos. Lá, foram recebidos por judeus armados e por ameaças de derramamento de sangue.

Um dos líderes judeus extremistas na região, Aryeh Yitzhaki, ameaçou abrir fogo e “derramar sangue” contra qualquer soldado que tentar entrar em sua casa em Gaza, cercada por um grande grupo de policiais, informou nesta quinta-feira o jornal israelense “Haaretz”. Vários colonos anti-retirada estão entrincheirados no local.

Da sacada da sua casa, e armado com um fuzil M-16, Yitzhaki ameaçou os soldados usando um megafone.

A polícia tenta negociar com Yitzhaki, e os colonos que fazem resistência, informou o porta-voz da polícia Shai Itzkovitz.

Na manhã desta quinta-feira, a Marinha estacionou vários barcos patrulheiros a 150 metros da costa de Kfar Yam –que está bem próxima do mar Mediterrâneo– aparentemente para impedir eventuais ataques de grupos extremistas palestinos.

Kfar Yam abriga cerca de 20 famílias, mas recebeu “reforços” de ativistas israelenses nas últimas semanas. O Exército enviou uma escavadora para abrir caminho pela barricada montada pelos colonos –feita de materiais inflamáveis– e que estava em chamas. Quando o veículo entrou, ativistas jogaram bexigas cheias de tinta vermelha e branca.

Kfar Darom

Forças de segurança israelenses entraram nesta quinta-feira na colônia de Kfar Darom para começar a remover à força os colonos que ainda permanecem no local pela manhã [o fuso horário de Israel é de seis horas a mais]. Já no início desta tarde em Gaza, a rede de TV Channel 10 informou que 80% dos colonos já tinham sido retirados.

Ultranacionalistas israelenses que entraram ilegalmente em Gaza para ajudar nos protestos anti-retirada entraram em uma sinagoga de Kfar Darom, onde permaneceram por horas, na tentativa de resistir à remoção. Vários soldados e policiais cercam o prédio desde a manhã desta quinta-feira.

Vários colonos –em sua maioria jovens– estão no telhado da sinagoga, que foi cercado por arame farpado. O Exército levou um guindaste até o local, e ameaça retirar os ativistas à força.

Mas essa não foi a única ação ativista que as forças de segurança tiveram que enfrentar em Kfar Darom. Logo nesta manhã, os soldados conseguiram retirar de uma escola religiosa para garotas cerca de cem pessoas que tinham se entrincheirado no local.

As forças de segurança também retiraram manifestantes de uma escola de enfermagem local, onde uma ativista chegou a ameaçar o soldados com uma seringa, que ele dizia estar contaminada com o vírus da Aids. Forças especiais foram chamadas para retirá-la do local.

Neve Dekalim

Ainda nesta quinta-feira, membros das forças de segurança planejam a remoção completa dos colonos de Neve Dekalim, Shirat Hayam, Netzer Hazani, Gan Or e Kfar Yam.

Em Neve Dekalim, colonos se entrincheiraram em uma sinagoga sefardita, e quando os soldados se preparavam para invadir o local, os manifestantes derramaram uma substância inflamável na porta do templo religioso, fazendo com que os militares abandonassem o plano.

Forças de segurança cercaram a sinagoga na manhã desta quinta-feira. Mas, de acordo com o jornal israelense “Haaretz”, militares estimam que centenas de jovens, a maioria de fora de Gaza, estão no local. Há também uma outra sinagoga que foi invadida, a de Ashkenazic, onde só há mulheres, mas o jornal não informou qual é a ação do Exército no tocante a essas manifestantes.

Moradores que ainda estão em Neve Dekalim atearam fogo em suas casas nesta quinta-feira.

Notícias relacionadas