Cobre pode ser usado na prevenção de infecções por bactérias resistentes a antib - WSCOM

menu

Saúde

05/04/2011


Cobre usado na prevenção de infecções

Contaminação

Foto: autor desconhecido.

Na próxima quinta-feira, 7, comemora-se o Dia Mundial da Saúde. Esse ano o tema é a resistência antimicrobiana e sua disseminação global. Estima-se que atualmente cerca de sete milhões de pessoas adquirem infecções intra-hospitalares por ano, sendo que das quatro milhões que são infectadas na Europa, 37 mil morrem. Diferentes pesquisas têm sido desenvolvidas no mundo na tentativa de melhorar a prevenção e reduzir a transmissão de agentes como MRSA – bactéria resistente a alguns antibióticos. Uma das linhas que têm mostrado resultados promissores tem o cobre como principal agente antimicrobiano. Nessa segunda-feira (4), o professor William Keevil, cientista de microbiologia e diretor da Unidade de Saúde e Meio ambiente da Universidade de Southampton, em Bruxelas, na Bélgica, demonstrou como o cobre é capaz de promover a morte de bactérias.

 

Durante o evento "Resistência aos antimicrobianos e sua propagação global" transmitido pela internet, através do site http://www.antimicrobialtouchsurface.com/, da International Copper Association (ICA) – organização que promove o uso do cobre no mundo, o professor apresentou duas placas que foram inoculadas com dez milhões de bactérias MRSA cada. O experimento utilizou microscopia fluorescente. A primeira placa era de aço inoxidável e a segunda de cobre. Passados nove minutos, foi possível identificar que, enquanto a primeira placa ainda estava coberta pelas bactérias, a segunda estava praticamente livre desses organismos.

 

Na apresentação, Willian lembrou que cerca de 80% de todas as infecções são adquiridas por contato. Assim, diferentes superfícies são capazes de interferir na proliferação de bactérias. Segundo o professor, existem, por exemplo, superfícies absorventes e não absorventes. “Sabemos que em superfícies de aço inoxidável e plástico, germes podem sobreviver por semanas e até meses. Por outro lado, em superfícies como o cobre os germes morrem muito rápido”, disse.

 

Tom Elliott, microbiologista consultor da University Hospitals Birmingham NHS Foundation Trust, no Reino Unido, explicou na apresentação que agentes de limpeza como cloro tem um efeito imediato, mas não de longo prazo como o cobre, que consegue manter a superfície limpa por meses.

 

Segundo informações do site da ICA, em aproximadamente 2h de contato com o cobre, 99,9% das bactérias são destruídas.

 

O mecanismo de ação pelo qual o cobre inativa as bactérias é complexo, porém acredita-se que "as superfícies de cobre afetam as bactérias em duas etapas sequenciais: o primeiro passo é uma interação direta entre a superfície e a membrana externa bacteriana, que leva à ruptura dessa membrana. O segundo está relacionado com os furos na membrana externa, através dos quais a célula perde nutrientes vitais e água, causando um enfraquecimento geral da célula", diz o site.

 

Segundo especialistas, ao perfurar a membrana o cobre inibe a ação de qualquer enzima e, mecanismos de manutenção da célula são interrompidos, por exemplo, transporte e digestão de nutrientes, capacidade de reparo da membrana, respiração celular e divisão celular. As perfurações na membrana, segundo informações do site, ocorrem provavelmente porque o cobre deve atuar no potencial elétrico transmembrana, alterando os potenciais elétricos externo e interno da célula.

 

Esse mecanismo de ação, ainda de acordo com o site, pode explicar também o porquê de o cobre ser eficaz em diferentes micro-organismos.

 

Notícias relacionadas