Cine Volante exibirá mais quatro curtas paraibanos - WSCOM

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Entretenimento

14/08/2005


Cine Volante exibirá mais quatro

A programação deste mês do projeto Cine Volante apresenta mais quatro curtas-metragens de ficção paraibanos: “Alma”, de André Moraes; “Passadouro”, de Torquato Joel; “Tempo de Ira”, de Marcélia Cartaxo e Gisella Melo e “Eu Sou o Servo”, de Eliézer Rolim. Até dezembro, esse circuito de cinema promovido pela Fundação Cultural de João Pessoa(Funjope) estará acontecendo nos bairros de Mandacaru, Mangabeira, Alto do Mateus e Valentina. A próxima exibição será neste domingo (14), às 20h30, no Salão Comunitário da Igreja Sagrado Coração de Jesus, em Mandacaru.

O projeto teve início no mês de julho e tem atraído um público acima de 200 pessoas em cada exibição, entre jovens, adultos e crianças das comunidades por onde o Cine Volante tem passado.

Segundo o diretor da Divisão de Audiovisual da Funjope, Torquato Joel, esses quatro bairros citados serão pólos do projeto Cine Volante durante seis meses. Depois, o projeto será ampliado a outras comunidades. “Para nós não era interessante fazer uma sessão hoje e só retornar aquela comunidade oito meses depois, porque nosso objetivo é formar uma reflexão crítica e criar um hábito sólido e consistente nas pessoas de ver e refletir sobre audiovisual, em especial ao cinema paraibano”, afirmou.

Além da exibição dos filmes, o projeto leva às sessões os produtores dos filmes, que comandam o debate com a comunidade, favorecendo a formação crítica e estimulado as pessoas a escreverem redações sobre o que viram e ouviram.

Programação – Na próxima quinta-feira (18), às 19h30, os curtas serão exibidos no Centro de Cidadania Hilton Veloso, em Mangabeira I. Na sexta-feira (19), no mesmo horário, a projeção vai acontecer na Escola Municipal João XXIII, no Alto do Mateus. Para fechar a programação do mês, no dia 25 de agosto, no Centro da Juventude Adalberto da Silva Fernandes, será a vez da comunidade do Valentina Figueiredo.

Segundo Torquato Joel, a Funjope planeja ainda a realização de outras ações em vários bairros da Capital. As atuais exibições do Cine Volante estão preparando o terreno para a realização posterior de oficinas de cineclubismo e o Projeto Cine-olho, que vai proporcionar às comunidades uma experiência com o fazer audiovisual, através de noções básicas de roteiro, direção, câmera e edição.

Filmes – Uma das mais recentes produções do cinema paraibano é o curta “Alma”, de André Moraes, uma ficção com duração de 10 minutos. Este filme explora o olhar de uma menina sobre seu cotidiano. Numa casa isolada no interior vivem Alma e sua avó. Num dia comum, Alma acorda e se olha no espelho. O espelho quebrado tem um reflexo distorcido da menina. Com esse simples fato ela entra num processo de questionamentos de si mesma, do existir e do mundo. Com um olhar puro, Alma observa as coisas com a admiração e o espanto da primeira vez. A noite chega, finda o dia, para surgir outros como todos iguais de sua vida, e Alma continua a questionar, esse é o combustível para continuar vivendo.

Já na ficção “Tempo de Ira”, Marcélia Cartaxo e Gisella Melo abordam a estória trágica da família Candóia, onde após 20 anos, Cícera, a única filha mulher que restou, cuida da mãe enferma num ambiente de estio na seca do sertão e convive com uma dualidade: a relação entre mãe e filha ou seguir seu namorado Quinzinho.

Em “Passadouro”, o cineasta Torquato Joel utiliza elementos de documentário e em oito minutos faz um paralelo a partir das inscrições rupestres nas pedras do cariri paraibano, como memória mais remota dos povos indígenas que habitaram o sertão nordestino, até a atualidade, com os hábitos e costumes do homem que ocupa a região desde a colonização européia e as influências da televisão que chega via parabólica. A televisão traz os “sonhos” de consumo da sociedade contemporânea para dentro da casa do homem que vive em condições quase primitivas. Sem diálogos, o filme discute estas questões através das imagens e dos sons ambientes.

Por fim, no curta-metragem “Eu Sou o Servo”, Eliézer Rolim transcende até novembro de 1875, ao universo de Padre Ibiapina. No filme, um cortejo insólito de 12 beatos carrega sobre uma cama, um velho santo nordestino. Padre Ibiapina, o apóstolo do Nordeste, depois de 30 anos de peregrinação está paralítico, com fortes crises de asma e tem constantes delírios onde vê flashs de sua vida. É a última viagem de Ibiapina, contada por seu beato mais fervoroso no meio da caatinga, enfrentando ataques de retirantes famintos, seca e peste, até serem recebidos em festa em Santa Fé, na Paraíba, onde o padre chega a falecer depois de uma visão da Virgem Maria.

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