Chefe do Depart. de Economia da UFPB discute papel do bitcoin: 'Investimento do Século ou Bolha Especulativa?' - WSCOM

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Paraíba

08/03/2018


Chefe do Depart. de Economia da UFPB discute papel do bitcoin: ‘Investimento do Século ou Bolha Especulativa?’

"Há investidores e especialistas em moedas digitais que revelam a credibilidade no protocolo de funcionamento do Bitcoin"

Foto: autor desconhecido.

O professor Paulo Amilton, chefe do Departamento de Economia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), divulgou um novo artigo, nessa quinta-feira (08), no qual discute sobre papel da moeda digital bitcoin.

“Há investidores e especialistas em moedas digitais que revelam a credibilidade no protocolo de funcionamento do Bitcoin”

Confira a íntegra do artigo:

Bitcoin: Investimento do Século ou Bolha Especulativa?

Por Paulo Amilton Maia Leite Filho

A evolução da interdependência dos mercados financeiros globais combinados a ampla mobilidade de capitais presentes em grande parte das economias mundiais, e ainda agravado pela ausência de mecanismos de coordenação econômica internacional, têm possibilitado o desenvolvimento de canais de transmissão de choques econômicos, impulsionando a magnitude e a área de difusão de crises financeiras.

Tal como tem-se observado nas últimas décadas, o avanço da tecnologia permitiu a integração de mercado mundiais, possibilitando que economias transacionem seus produtos com outras economias do resto do mundo. O aparecimento da internet permitiu a introdução de um novo formato de meio de pagamento – o digital, no qual fornece aos usuários mecanismos alternativos e seguros de pagamento, por meio de transações ágeis e cômodas para os indivíduos.

Neste sentido, o crescimento do acesso à internet combinado com a evolução tecnológica contribuiu para que o sistema financeiro desenvolvesse amplas inovações com o intuito de dirimir os riscos das transações. No entanto, após a ocorrência de choques da crise de 2008/2009, houve um crescimento da vigilância dos órgãos reguladores sobre maiores níveis de exposição ao risco e dos mecanismos econômicos que causaram as perturbações na economia mundial.

Dentro desse contexto, a moeda virtual tem chamado atenção de instituições financeiras, governos e pesquisadores, em que o principal ícone do processo de desenvolvimento monetário virtual é o Bitcoin. Este é definido como um sistema monetário digital e descentralizado em que sua implementação é fundamentada por duas tecnologias fundamentais da criptografia: a chave público-privada, para armazenamento e o dispêndio do dinheiro; e a validação criptográfica das transações. O sistema de criptografia de chave público-privada permite que qualquer pessoa crie uma chave pública e uma chave privada correspondente. As mensagens criptografadas com uma chave pública só podem ser descodificadas por alguém que possua a chave privada associada, permitindo que qualquer pessoa criptografe uma mensagem que somente um destinatário especificado pode ler.   

Outro aspecto do uso do Bitcoin está relacionado a engenharia tecnológica para o seu funcionamento, uma vez que este não reconhece uma unidade central de controle de suas transações, que por sua vez implica na ausência de regras que regulamentem sua estrutura operacional. Assim, pagamentos nacionais e internacionais com uso dessa moeda digital podem ser efetuados sem a necessidade da intermediação de instituições financeiras. Além disso, as moedas virtuais trouxeram a inovação de manter todos os registros públicos de suas transações, porém preservando o anonimato das partes envolvidas, pois tanto o comprador como o vendedor são identificados apenas pela chave pública em formato criptografado.

Outra característica do Bitcoin é que ele pode ser visto como um ativo financeiro também. Ou seja, ele pode ser transacionado num mercado. Como um ativo o Bitcoin acumulou mais de 1800% de rendimentos para o investidor só em 2017. Entretanto, essa forte elevação de preços apresenta um nível significativo de risco associado. Em comparação aos investimentos tradicionais, o Bitcoin é considerado um ativo de alto risco, que em média apresenta uma volatilidade em torno de 10% ao dia. Um ativo tão volátil é benéfico ou não ao mercado financeiro? O Bitcoin pode ser visto como um ativo de proteção (hedge) ?

No intuito de responder estas questões, a aluna Barbara Correa Simão do mestrado em contabilidade da UFPB realizou uma pesquisa usando os mercados financeiros do Brasil e dos EUA. 

Os resultados estão em consonância com a literatura desenvolvida sobre o tema, indicando que o Bitcoin tem o papel representativo de hedge no cenário econômico a medida em que os investidores tendem a transferir capital para o mercado alternativo de Bitcoin antes alocado no mercado convencional de capitais.  Assim, à medida que o mercado se torna mais popular e maduro, torna-se menos duvidoso para o investidor.

 Finalmente retoma-se ao questionamento, o Bitcoin é o investimento do século ou uma bolha a beira de implodir? Se por um lado, existem os caçadores de rentabilidade instantânea e os usuários que buscam mecanismos de fácil acesso para burlar as leis vigentes. Existe outra perspectiva, há investidores e especialistas em moedas digitais que revelam a credibilidade no protocolo de funcionamento do Bitcoin e acreditam que essa expressiva valorização do preço seja a consequência da originalidade e confiança na arquitetura digital firmado pelo Bitcoin.

 Portanto, o fato é que a literatura tem mostrado que o Bitcoin apresenta-se como um ativo financeiro com características de proteção em momentos de instabilidade econômica e demonstra uma tendência para a redução do risco sistêmico. Assim, é possível compreender a busca de investidores em um ativo de refúgio com credibilidade.

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