Chefe da Anistia Internacional está "chocado" com percepção de direitos humanos - WSCOM

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Brasil & Mundo

27/04/2011


Chefe da Anistia está "chocado"

Direitos humanos

Foto: autor desconhecido.

Em missão oficial no Brasil, o secretário-geral da Anistia Internacional, Salil Shetty, afirmou que está chocado com a percepção de direitos humanos é o que mais o "choca" no país. Ele disse que sua "impressão geral" é que "os direitos humanos são visto como um problema, e não como uma oportunidade" no país.

– A percepção pública é que você tem que optar entre direitos humanos ou segurança pública, ou entre direitos humanos e desenvolvimento.

Para ele, o assunto ainda "é visto como algo que vai proteger os bandidos. Isso é muito problemático para o Brasil, especialmente para o novo Brasil que está surgindo".

Mas o secretário-geral também avanços.

– Se você compara com o país de 10 anos atrás, não há dúvida de que houve muito progresso. É um dos poucos países a ter um plano nacional de direitos humanos, e tem iniciativas específicas sobre tortura, proteção a testemunhas, defensores de direitos humanos, direitos socioeconômicos […] A Bolsa Família fez uma diferença, a desigualdade diminuiu. Nós reconhecemos esses avanços, mas lembramos a eles (as autoridades) das lacunas.

Relação com o Irã

Hetty iniciou na segunda-feira uma agenda de encontros no Rio. Ele segue hoje para Brasília, onde se reunirá com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e pleiteia um encontro com a presidente Dilma Rousseff.

O representante da ONG saudou as declarações da presidente em defesa dos direitos humanos e a mudança de postura do Brasil em relação ao Irã, "mas o que vale para a Anistia são as ações, não os discursos".

– Acho que a vontade está lá. Mas uma coisa é o governo federal dizer que acredita nisso, já implementar é um grande desafio num país como o Brasil.

Enquanto elogia a posição "mais clara" em relação ao Irã, Shetty diz que o país ainda está ‘em cima do muro’ em relação a outros países, como Sri Lanka.

– Se o Brasil quer um assento permanente no Conselho de Segurança, se quer ser um player global, tem que ter uma posição muito clara em relação aos direitos humanos no âmbito global.

Para ele, as áreas mais frágeis no país em relações aos direitos humanos são a segurança pública e a atuação das polícias, a questão das terras indígenas e a atuação no cenário internacional.

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