Chávez entra em ritmo de campanha aumentando gastos públicos - WSCOM

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Internacional

27/05/2008


Chávez entra em ritmo de



Chávez quer atrair eleitores para conquistar Estados e municípios

De olho nas eleições regionais de novembro, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, não se faz refém dos problemas da economia do país e recentemente decidiu aumentar os gastos públicos. As últimas estatísticas mostram que os preços ao consumidor cresceram 29,1% nos últimos 12 meses – a maior taxa da América Latina.

Para remediar o problema, o presidente anunciou, no dia 1º de maio, aumentos de pelo menos 30% nos salários do setor público, justificando que manter o poder aquisitivo das pessoas é mais importante do que abaixar a inflação.

Ao mesmo tempo, Chávez também elevou o salário mínimo em 30%, passando para US$ 370 por mês.

Presentes

Essas medidas são anunciadas no momento em que o partido do presidente, Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), entra no processo de escolher seus candidatos para as eleições estaduais e municipais, marcadas para novembro.

Na última votação, realizada em 2004, o partido de Chávez e os de seus aliados abocanharam 20 dos 23 governos estaduais.

Desde então, no entanto, o presidente sofreu seu primeiro revés político, quando, em dezembro de 2007, os venezuelanos rejeitaram, em referendo, uma proposta para mudar a Constituição do país.

Entre os planos frustrados de Chávez estava a remoção do limite para reeleição do presidente, que abriria caminho para que se perpetuasse no poder.

De acordo com analistas, se as próximas eleições seguirem essa tendência, os partidários de Chávez poderão conquistar apenas 15 Estados.

O presidente está consciente desta ameaça e já descreveu as próximas eleições regionais como as “mais importantes na história da Venezuela”.

Por conta disso, muitos observadores acreditam que até lá o presidente irá aumentar os gastos públicos com objetivo de garantir seu apoio entre os mais pobres.

Vaca leiteira

Quem olha de fora, acha que a Venezuela tem condições de arcar com esses custos. Afinal, o país é rico em petróleo e o produto tem alcançado preços cada vez mais altos no mercado internacional.

Mas uma observação mais próxima do desempenho macroeconômico da Venezuela sugere que o governo tem menos espaço para manobras do que gostaria.

Cerca de 50% dos rendimentos do governo vêm da companhia estatal de petróleo, PDVSA. E apesar de o preço da commodity estar subindo, o crescimento econômico do país vem caindo.

Em 2005 e 2006, o Produto Interno bruto (PIB) cresceu 10,3%, recuando para 8,4% em 2007. Para este ano, o instituto de pesquisa Consenso Econômico prevê avanço de apenas 5,6%.

Em vez de investir na produção da PDVSA, o governo usa a empresa como uma vaca leiteira, “mamando” em seus fundos para financiar programas sociais.

Graças às suas políticas de nacionalização, a estatal controla atualmente todos os campos de petróleo do país, mas um novo imposto sobre o lucro excessivo com o produto poderá aumentar ainda mais os lucros do governo.

Há ainda fortes evidências de que o programa de nacionalização de Chávez, que se estende aos setores de eletricidade, telecomunicações e indústria do cimento, está amedrontando os investidores internacionais.

Um deles, Exxon Móbil, está buscando indenizações de até US$ 12 bilhões depois que seus campos de petróleo foram nacionalizados no ano passado.

Nada disso parece estar fazendo bem aos venezuelanos comuns. A falta de investimentos fez com que a indústria ficasse incapaz de acompanhar o aumento da demanda dos consumidores e o controle de preços de 400 produtos básicos imposto pelo governo levou ao racionamento de comida.

O presidente aumentou os salários dos cidadãos mais pobres e, agora, tudo o que precisa fazer é garantir que eles achem comida para comprar.

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