Caso Jean tem mais chances de justiça por ser Grã-Bretanha, diz 'Daily Mail' - WSCOM

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Brasil & Mundo

25/08/2005


Caso Jean tem mais chances

O jornal britânico Daily Mail afirma nesta quinta-feira que a família de Jean Charles de Menezes tem uma chance muito maior de ter justiça na investigação da morte do filho na Grã-Bretanha do que se ele tivesse sido apenas mais uma das centenas de pessoas baleadas pela polícia do Rio de Janeiro em circunstâncias obscuras.

O artigo do jornalista Jonathan Foreman traz o título: “Assassinatos em massa. Esquadrões da Morte. Execuções à beira da estrada … a verdade sobre o policiamento estilo brasileiro.”

“A polícia das duas maiores cidades do país, Rio de Janeiro e São Paulo, assassina – termo usado por grupos de defesa de direitos humanos – centenas de pessoas todos os anos com quase total impunidade”, diz o texto.

“Eles também são conhecidos por tortura, extorsão, narcotráfico e execuções sumárias dentro do sistema carcerário do país.”

O jornal cita relatórios da Anistia Internacional e do Departamento de Estado americano como fontes para tal afirmação.

“Para colocar a indignação brasileira sobre o caso Menezes em contexto, só nos primeiros meses de 2005, a polícia do Rio matou 501 pessoas. E dados oficiais do ano passado falam em 983 mortes pela polícia do Rio. Este é mais do total de todos os assassinatos na Inglaterra e País de Gales (833) – e foi visto como uma melhora em relação à situação dos últimos anos.”

Mas o Daily Mail disse que “nada justifica a morte de Menezes ou desculpa o que parece ser uma incompetência surpreendente da operação da polícia londrina em Stockwell”, onde o brasileiro foi morto a tiros depois de aparentemente confundido com um militante extremista.

‘Veredito de culpa’

O diário britânico traz ainda uma reportagem dizendo que os representantes do Brasil no país “exigem um veredito de culpa da polícia”.

“Os policiais responsáveis pelos tiros que mataram Jean Charles de Menezes ‘deveriam ser considerados culpados’ no final de um processo legal, disse um funcionários do governo brasileiro”, afirma o Daily Mail, citando Manoel Gomes Pereira, do Ministério da Justiça.

O jornal britânico The Guardian diz que o chefe da polícia londrina, Ian Blair, está sendo minado por um pequeno grupo de policiais insatisfeitos e atribui essa informação a “fontes da Scotland Yard”.

“Críticos dentro e fora da polícia estão usando o caso de Jean Charles de Menezes” contra Blair, por considerá-lo “politicamente correto demais”.

O francês Le Monde diz em sua edição desta quinta-feira que a delegação brasileira “endureceu seu tom” ao lidar com as autoridades britânicas no caso Jean Charles de Menezes.

O jornal vê “um certo descontentamento em Brasília, em relação à maneira que tem sido tratada a morte do brasileiro” e atribui isso a “um acúmulo de fatos”.

Entre eles o Le Monde cita “a longa espera a que foi submetido o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, até ser recebido” por seu colega britânico, Jack Straw, e a “justificativa oficial alegada para a morte, bastante anterior ao pedido de desculpas apresentado pelo primeiro-ministro Tony Blair”.

Mudança de clima

O aquecimento global voltou a atrair a atenção de jornais internacionais com as enchentes na Europa.

O jornal alemão Die Welt diz que “o que parecem ser monções em latitudes pouco comuns podem ocorrer de novo e se intensificar, e nossa civilização urbana está se colocando em perigo”.

O Sueddeutsche Zeitung também acredita que as enchentes vão se repetir. “Cientistas prevêem há anos um aumento de condições meteorológicas extremas.”

O jornal americano The New York Times destaca em editorial que governos de Estados do norte do país “estão levando problemas de aquecimento global e dependência de petróleo muito mais a sério do que a administração Bush”.

Nove Estados chegaram a um acordo para reduzir as emissões de dióxido de carbono, um dos principais fatores para o efeito estufa.

“Os arquitetos do novo plano (…) esperam que ele encoraje outros Estados a seguirem … persuadindo um Congresso relutante a adotar o tipo de estratégia nacional unificada defendida na Europa mas não” nos Estados Unidos.

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