“Brincadeira” em trote estudantil termina em sindicância na UFPB - WSCOM

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Paraíba

20/07/2016


Trote na UFPB termina em sindicância

CULTURA DO ESTUPRO

Foto: autor desconhecido.

Estudantes veteranos do curso de Engenharia Química da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) promoveram um trote com gosto bastante duvidoso, na recepção aos feras do período 2016.1, no Campus I, em João Pessoa. A 'farra' terminará em sindicância promovida pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) da instituição. Isso por causa de uma placa com a frase “Miss Estupra: tudo certo, 'vambora'”, que eles obrigaram as alunas novatas a usar.

Em reunião realizada na terça-feira (19), os membros da CDH, da direção do Centro de Tecnologia (CT) e da Coordenação do Curso de Engenharia Química decidiram que todos os estudantes do centro terão uma palestra sobre a cultura do estupro e formalizaram o requerimento para abertura da sindicância para investigar os autores do trote.

Na avaliação de vários integrantes do ciclo acadêmico, a brincadeira pegou muito mal. O fato logo foi compartilhado nas mídias sociais on-line e tem gerado discussões, inclusive, em grupos de debates sobre gênero e mídia, como é o caso do GEM, no Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA).

Em nota, o GEM repudia a tal 'brincadeira' e relata a importância de se incentivar, cada vez mais, o combate a cultura do estupro que normaliza o comportamento sexual violento dos homens e culpabiliza a vítima.

Confira a nota emitida pelo grupo:

“Você possivelmente já ouviu falar muito sobre a cultura do estupro nos últimos meses. Para muitos, este termo é considerado apenas conversa de feminista, mas para nós mulheres, é uma realidade árdua a qual temos que conviver cotidianamente. Mas o que é de fato o termo Cultura do Estupro? Segundo a ONU Mulheres é 'o termo usado para abordar as maneiras em que a sociedade culpa as vítimas de assédio sexual e normaliza o comportamento sexual violento dos homens. Ou seja: quando, em uma sociedade, a violência sexual é normalizada por meio da culpabilização da vítima, isso significa que existe uma cultura do estupro'. Ou seja, podemos considerar como cultura do estupro, a naturalização do crime e as violências cotidianas que as mulheres sofrem.

No dia 16 de julhoo na UFPB foi encontrada uma plaquinha que estava sendo colocada no pescoço de alunas 'feras', como parte do trote realizado por um dos cursos de engenharia da instituição, nesta plaquinha estava escrito a seguinte frase 'Miss estupra: tudo certo'. É inaceitável que este tipo de atitude aconteça em uma instituição educacional que forma os futuros profissionais da nossa sociedade, é inadmissível que este tipo de violência seja tão naturalizada em nossa comunidade acadêmica. A violência contra mulher e a cultura do estupro existem sim, não podemos entender que está TUDO CERTO em enaltecer este tipo de crime. Não podemos mais compactuar e muito menos compartilhar este machismo velado presente em nosso cotidiano. Não, NÃO ESTÁ TUDO CERTO, não em um país onde a cada 11 minutos uma mulher é violentada. Chega de naturalizar e reproduzir esta cultura.”