Brasileiro estoca comida e relata clima de tensão em Beirute - WSCOM

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Internacional

09/05/2008


Brasileiro estoca comida e relata



Integrantes do Hezbollah colocam bandeira da Palestina em prédio que pertence ao partido do governo Movimento Futuro, em Beirute

Estocar comida e se manter longe da janela. Estas foram as duas medidas tomadas pelo brasileiro Gustavo Barbosa. Morador do bairro de Qreitam, em Beirute, a menos de 100 metros do palácio da família Hariri, que lidera o grupo anti-Síria, o diplomata e antropólogo contou ao G1 que ouviu tiros até de bazuca durante a noite de quinta-feira (8) e a manhã desta sexta-feira (9). Os conflitos no país já mataram pelo menos 11 pessoas.

“Consegui dormir por volta das 2 horas da manhã, ouvindo tiros até de RPG, que é uma espécie de bazuca. Mas às 6 horas, eu ouvi mais trocas de tiros e vi que as lojas ainda estavam abertas. Então, corri para estocar comida”, afirmou Barbosa.

“Havia muita gente fazendo o mesmo, principalmente mulheres. Eu comprei bastante água, leite em pó e muitos enlatados”, completou.

A capital libanesa passa por momentos turbulentos desde o início desta semana devido à crise entre sunitas (governistas) e xiitas (oposição).

Os confrontos começaram após o governo acusar o Hezbollah de violar a soberania do país, ao montar sua própria rede de telecomunicações e instalar câmeras inclusive no aeroporto de Beirute. Fechamento de ruas e estradas por governistas e oposicionistas e trocas de tiros aconteceram em Beirute.

O diplomata comentou ainda que só deixou a casa após o carro da embaixada brasileira em Beirute ir buscá-lo.

“Agora, eu não pretendo voltar para a minha casa. Vou passar na casa de um colega e ver quando será possível retornar”, disse Barbosa.

Por enquanto, o brasileiro comentou que não pretende deixar o país. “Se as coisas não piorarem, penso em ficar mais um ano. Senão, terei que pensar em alguma alternativa, até porque o aeroporto está fechado”, falou.

Sem um funcionário – O embaixador brasileiro no Líbano, Eduardo de Seixas, contou que a situação na capital “é grave, mas não escalou para o resto do país”.

Ele, porém, deixou claro que o momento não pode ser comparado com julho e agosto de 2006, quando na ocasião Israel atacou o Líbano. “Desde que cheguei aqui (janeiro de 2006), aquela foi a pior situação. Não se pode comparar”, disse.

Seixas contou que apesar de ouvir tiros, a embaixada não está na zona de risco na capital libanesa.

“Os conflitos estão acontecendo em Beirute Ocidental. A embaixada fica mais para o norte e ainda é possível sair na rua sem problemas”, contou.

O mesmo, porém, não acontece com um de seus assessores. “Ele mora na região afetada e ele não tem razão alguma de tentar sair de casa”, disse Seixas, que preferiu não mencionar o nome do funcionário.