Brasil vive 'esquizofrenia informativa' em torno de acidente, diz jornal - WSCOM

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Internacional

24/07/2007


Brasil vive 'esquizofrenia informativa'

O Brasil vive uma “esquizofrenia informativa” em relação ao acidente com o Airbus A320 e os apagões aéreos, diz uma matéria do jornal argentino Página 12 nesta terça-feira.

O diário observa que, nos últimos dias, “os meios de comunicação opositores” têm difundido informações contraditórias sobre a tragédia em Congonhas e o “apagão” que paralisou diversos aeroportos do país no sábado.

Entre versões que divergem sobre os culpados pelo acidente – a pista, o piloto, a TAM ou o governo – o Palácio do Planalto tem recebido com cautela as informações, diz o Página 12.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu calma aos parentes das vítimas para esperar que as investigações avancem.

“Estes dias, nada se descarta e nada se comprova no Brasil. O único que há são especulações”, conclui o jornal.

O jornal La Nación traz um retrato da situação “surrealista” que vive o país desde que a crise aérea se tornou mais aguda.

“Algumas situações rivalizam com as cenas do filme Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu”, afirma o diário.

A matéria nota que os passageiros estão entre “furiosos e aterrorizados” na hora de voar. “O Brasil é o país com maior número de católicos do mundo, e agora é possível perceber: nunca se rezaram tantos Pai Nosso em decolagens e pousos”.

O La Nación diz que “os aeroportos se tornaram acampamentos de ‘sem terra’: as pessoas se deitam nos corredores à espera de vôos que atrasam horas”.

“Como às vezes a paciência tem fim, ontem o aeroporto (de Congonhas) teve de reforçar a guarda policial, porque as pessoas estão perdendo as estribeiras, e atender ao balcão do check-in se transformou em profissão de risco.”

“Alguns passageiros gritam, outros choram, outros agarram os empregados pelo colarinho.” O texto nota uma “ironia” na atual situação: o aeroporto de Congonhas teria se tornado “escala virtual para o terminal de ônibus”.

“Os passageiros chegam e se convencem pessoalmente de que será melhor tomar um ônibus que enfrentar o pesadelo de esperas, falta de informação e medo.”

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