Brasil exporta menos, mas recebe mais - WSCOM

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Economia & Negócios

07/08/2005


Brasil exporta menos, mas recebe

Os resultados da balança comercial acusando seguidos recordes de exportação escondem números não tão positivos para o País. De acordo com o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o crescimento das vendas externas este ano vem sendo puxado pela alta dos preços, mas é cada vez menor a quantidade de produtos vendidos lá fora.

Os preços das exportações de produtos brasileiros cresceram 8,8% em junho, quando comparados com dezembro de 2004, ante uma queda de 1,8% na quantidade de mercadorias embarcadas no período. Para fazer a comparação, o Iedi expurgou os efeitos que acontecem normalmente ao longo do ano. Entre os produtos básicos, que incluem os agropecuários, essa queda já chega a 5,1%.

“Aumentar as exportações apoiado apenas nos preços é como se o nosso time marcasse um gol de mão. A gente até vibra, mas no fundo, no fundo, sabe que é apelação”, afirma Júlio Sérgio Gomes de Almeida, diretor-executivo do Iedi.

Para ele, a eficácia de uma política de exportação deve ser medida pela evolução da quantidade de produtos vendidos, e não do valor exportado. Nesse sentido, segundo o diretor do Iedi, um dos fatores que explicam o bom desempenho das vendas externas brasileiras é a alta das cotações internacionais, que passam por um dos melhores momentos dos últimos 50 anos.

É por esse motivo que grandes grupos brasileiros têm conseguido negociar com seus clientes reajustes de preços em dólares, compensando parte dos efeitos da valorização do real ante a moeda americana.

A Sadia, que vende 50% do que produz no mercado externo, elevou em 4% os preços em dólar de frangos e aves, responsáveis por 40% dos quase R$ 2 bilhões em receitas com exportação no primeiro semestre. Esse valor representa crescimento de 16% em relação a igual período de 2004. Também cresceu o volume exportado no período, de 385 mil toneladas para 484 mil toneladas – um salto de quase 100 mil toneladas (25%).

“Se não conseguíssemos emplacar esse aumento de preços, nossa margem cairia ainda mais”, afirma Luiz Gonzaga Murat Júnior, diretor de Finanças e Relações com Investidores da Sadia. Sua margem bruta recuou para 26,1% das vendas, ante 32,7% no primeiro semestre do ano passado. A empresa faz operações de hedge para se proteger das oscilações do câmbio.

No setor de calçados, a Dumond, do grupo gaúcho Paquetá, já reajustou os preços de exportação em cerca de 30%, em relação ao primeiro semestre de 2004. Com isso, a quantidade de calçados vendidos no exterior recuou 15% no período, mas suas receitas aumentaram em 5%.

“Nossos clientes nos deram um voto de confiança, esperando que a situação do câmbio no Brasil melhore e os ganhos sejam repassados a eles”, diz Eduardo Smaniotto, gerente de Exportação da Dumond. A empresa espera vender US$ 11 milhões no mercado externo este ano, US$ 1 milhão a mais que em 2004.

O estudo do Iedi indica que os preços de exportação dos produtos básicos foram os que mais cresceram em relação a dezembro, com alta de 19,2% (ver quadro ao lado). Nesse período, as cotações das commodities agrícolas tiveram alta média de 21%, segundo índice da MS Consult.

O preço internacional da soja, por exemplo, aumentou 27,5%, enquanto o suco de laranja valorizou 20% e o frango ficou 19% mais caro. Entre as chamadas commodities industriais, cuja média de preços subiu 18%, a maior alta foi a do minério de ferro, de 70,5%. “As cotações não devem ceder muito nos próximos meses, pois há escassez desses produtos e o mercado mundial continua aquecido”, diz Fábio Silveira, sócio da MS Consult.

Não é, portanto, por acaso que a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) aumentou recentemente em cerca de US$ 14 bilhões sua estimativa de exportações para 2005 – de US$ 110,270 bilhões para US$ 114,55 bilhões.

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