Brasil desafia risco de eliminação com esquema antigo - WSCOM

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Brasil & Mundo

27/06/2006


Brasil desafia risco de eliminação

Robinho entrou nos dois primeiros jogos do Brasil, foi titular contra o Japão e poderia ser mantido ao lado de Ronaldo nesta terça-feira, às 12h, contra Gana, na estréia da seleção brasileira no mata-mata da Copa. Mas o edema na coxa direita, que tirou o atacante da partida em Dortmund, atrapalha os planos de Carlos Alberto Parreira, que perde uma de suas principais referências ofensivas e terá que encarar o primeiro jogo eliminatório, com risco real de voltar para casa, com a formação que começou o Mundial e não chegou a convencer.

“Foi um prognóstico muito bom e não há qualquer perspectiva de que ele seja afastado. A idéia é prepará-lo para sábado, se vencermos. O parâmetro de avaliação será o alívio de dor”, afirmou José Luiz Runco, médico da seleção brasileira.

“O Robinho atuou nos três jogos e é um jogador que dá uma alternativa muito boa para o treinador, ou começando ou entrando no transcorrer dos jogos. É uma pena”, lamentou Parreira, que emendou. “O jogador estava na sua melhor fase e muito animado”.

Quem passar para as quartas-de-final enfrenta o vencedor do duelo entre França e Espanha, que também jogam nesta terça-feira, às 16h. Ambas as partidas terão acompanhamento on-line pelo Placar UOL.

O Brasil entra em campo com todo o favoritismo que sua condição de campeão do mundo lhe confere e também com toda a pressão de evitar uma “zebra” histórica, que por enquanto não teve vez numa Copa em que os grandes têm prevalecido.

Mas a vida sem Robinho pode não ser fácil. Com o jogador do Real Madrid em campo, o “quadrado mágico” idealizado pelo treinador funcionou melhor. Nos dois primeiros desafios, frente à Croácia e Austrália, o atacante substituiu Ronaldo no decorrer do jogo e o time ganhou mobilidade.

No terceiro compromisso da primeira fase, Adriano ficou no banco e a seleção, com o driblador em ação, fez a sua melhor atuação: vitória por 4 a 1. O “Fenômeno”, até então apagado no torneio, anotou dois gols e igualou a marca de 14 em Mundiais do alemão Gerd Müller.

Robinho jogou 129 minutos, e seus números, em alguns quesitos, superam os de Adriano e Ronaldo, que atuaram 178 e 231 minutos, respectivamente. Segundo o Datafolha, o camisa 23 deu mais dribles e passes que a dupla titular, além de desarmar com mais eficiência. Apenas não fez gol.

O jogador finalizou, em média, 2,3 vezes, contra 2,5 de Adriano e 3,3 de Ronaldo. “Nunca tive uma lesão muscular e temia ficar fora da Copa. Felizmente devo estar à disposição dentro de alguns dias e espero voltar a ajudar o Brasil caso a gente avance às quartas-de-final”, disse.

Não é a primeira vez que Robinho contribui numa competição oficial. Na vitoriosa campanha da Copa das Confederações, em 2005, Parreira usou Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Robinho. A seleção foi elogiada e derrotou Alemanha (anfitriã) e Argentina nas partidas finais.

Sem o seu 12º titular, ou titular – Parreira não adiantou a escalação -, o técnico deve manter Adriano ou modificar o time. Ronaldinho Gaúcho pode ser deslocado para o ataque. No meio, o treinador tem como opções Juninho e Ricardinho.

A segunda hipótese parece menos provável, já que o treinador descaracterizaria o atual esquema. Os dois meias não têm a mesma característica de drible e condução de bola do astro do Barcelona e, em seus respectivos clubes – Lyon, de Juninho, e Corinthians, de Ricardinho -, são armadores e organizam o meio-campo.

Nas demais posições, Parreira deve manter o time que iniciou os jogos contra Croácia e Austrália. Cafu, Roberto Carlos, Émerson, Zé Roberto e Adriano foram poupados diante dos japoneses. Gilberto Silva disputa um espaço no meio-campo. “Não é mistério, é um direito que todo técnico da Copa do Mundo tem, é o que todos os times fazem”, alegou.

O Brasil jamais enfrentou Gana na história das Copas, mas tem se saído bem diante dos africanos. Em 1974, na Alemanha, venceu o Zaire (atual Congo) por 3 a 0. Bateu a Argélia por 1 a 0 em 1986 (México), Camarões por 4 a 0 em 1994 (Estados Unidos) e Marrocos por 3 a 0 em 1998 (França). Todos os jogos na primeira fase.

Gana, porém, tem um estilo diferente das demais escolas do continente. A seleção dirigida pelo sérvio Ratomir Dujkovic foi a mais faltosa da primeira fase e promete marcar muito os brasileiros, que têm encontrado problemas diante de adversários fechados na defesa.

Não necessariamente uma seleção faltosa é violenta. Espero que seja um jogo limpo e que a arbitragem coíba todo tipo de violência. Faltas a gente vai fazer e eles também”, minimizou Kaká.

Parreira procurou valorizar o adversário. “É um jogo perigoso, jogo de risco. Gana é muito boa tecnicamente”, disse. “Pela primeira nesta Copa o Brasil vai pegar um time que tem jogo de cintura, muita velocidade, agressividade. Temos que impor a nossa maneira de jogar mais uma vez, fugir do contato físico e tentar frear um pouco a velocidade e habilidade dos ganenses”.

Enquanto os brasileiros distribuem gentilezas, Dujkovic cutucou o time pentacampeão mundial. “Penso que podemos detê-los porque, como equipe, eles não vêm tão bem quanto antes. Vamos preparar uma estratégia para segurá-los e fazer gols”, adiantou.

O principal desfalque de Gana será o meia Essien, que joga no Chelsea. O jogador está suspenso com dois cartões amarelos. “Qualquer um que substitua o Essien fará o melhor. Não no mesmo nível que ele, mas tenho certeza de que chegará perto”, disse, sem anunciar o nome do “felizardo”.

BRASIL x GANA

Data: 27/06/2006 (terça-feira)

Horário: 12h (Brasília)

Local: Westfalenstadion, em Dortmund

Arbitragem: Michel Lubos (Eslováquia)

Brasil

Dida; Cafu, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Emerson (Gilberto Silva), Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho Gaúcho; Adriano (Juninho) e Ronaldo

Técnico: Carlos Alberto Parreira

Gana

Kingson; Pantsil, Mohammed, Mensah, Shilla; Otto Addo, Appiah, Boateng, Muntari; Amoah e Gyan

Técnico: Ratomir Dujkovic

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