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Paraíba

05/02/2019


Blog de WS diz que Governo e Prefeitura dão as costas para Centro Histórico

Analista expõe êxitos em Lisboa e Recife com inovação na economia

O novo texto do Blog de Walter Santos aborda nesta terça-feira (5) um tema delicado, real e urgente sobre a ausência de projetos estruturantes transformadores do Centro Histórico de João Pessoa por parte da Prefeitura e do Governo do Estado.

O jornalista compara a ambiência histórica com a de Lisboa e Recife, essas que dispararam na atração de nova vocação e economia com inovação nos seus Centros Culturais.

Eis o texto:

O exemplo fantástico de Lisboa transformando sua história econômica e a miopia permanente da Paraíba

Chegamos a 2019 com esperanças, mesmo diante de tantos acenos de retrocesso à vista a partir das cabeçadas federais, já convivendo com o Governo João Azevêdo anunciando metas, o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, comemorando o contrato com o BID para aporte de U$ 100 milhões, etc, mas sem nenhum aceno concreto sobre a imperiosa necessidade de revitalização econômica do Centro Histórico da Capital.

Repito: nem o Governo do Estado nem a Prefeitura de João Pessoa sinalizam com ações efetivas de transformação – não ações pontuais de efeito localizado – da área mais importante da cidade, embora estejam cercados de inúmeros exemplos, como Lisboa e Recife atraindo inovação estratégica e econômica.

O EXEMPLO DE LISBOA

Há exatos dez anos, a capital portuguesa era ambiente belo, formidável mas decadente pela inexistência de nova vocação econômica. Só o fado, a bacalhoada maravilhosa, etc não rendiam mais até que surge um cidadão chamado Rui Coelho – responsável pelo novo despertar levando para o ambiente velho e histórico as Startups, modernas e revolucionárias transformando Lisboa em Centro principal de TI da Europa.

À época, ninguém sabia o que era Startups e a Câmara de Lisboa (Prefeitura) sequer se interessava por novidades. Rui Coelho e outros poucos ousados fizeram campanhas de rua, mobilizaram, até conquistar a adesão de Antonio Costa, hoje primeiro ministro, atraindo bancos e negócios em torno das Startups.

O CASO RECIFE

Em 2002, o então governador Jarbas Vasconcelos foi convencido pelo engenheiro paraibano Claudio Marinho, então Secretário de Ciência e Tecnologia, de investir pesado na area de TI no Recife Antigo – lugar de riqueza histórica tomada de prostituição.

De uma lapada só doou o prédio de 16 andares do BANDEPE para as empresas de TI e ainda aportou R$ 32 milhões de apoio concreto.

Dezenove anos depois, o Porto Digital já é referência no mundo dos negócios a merecer reconhecimento internacional.

A CAVEIRA DE NOSSO CH

Há quem fale em maldição pelos antepassados em nosso Centro Histórico, algo absolutamente inexistente, porquanto o que falta mesmo é coragem de inovar e investir com sintonia aos novos mercados.

A dados de hoje podemos atestar que nem o Governo nem a prefeitura entendem ou se esforçam em transformar nosso Terceiro Patrimônio Memorial do Brasil em abrigo articulado de novos investimentos em TI, Cultura e Turismo no Centro Histórico porque se mostram míopes e comprometidos com a cultura beira-mar.

Ano passado, a PMJP teve toda a sociedade organizada a seu favor para implantar um Polo Digital e Cultura no Centro Histórico mas preferiu um projeto fechado na direção da praia e de Mangabeira deixando nosso Centro desprovido desta oportunidade.

NOVA VOCAÇÃO JÁ

Urge uma nova vocação econômica na Capital porque não podemos depender do Serviço Público, apenas. Ano passado trouxemos com vereador Marcos Vinicius o responsável pelo boom de Lisboa, Rui Coelho, para palestra na Capital mas tudo o que foi falado pouco mexeu com nossos dirigentes.

Agora, João Pessoa terá U$ 100 milhões e absolutamente nada de investimentos novos se voltam para reaquecer nosso Centro Histórico. Zero.

O governador João Azevêdo acaba de anunciar novos investimentos, nenhum centavo na revitalização econômica do Centro Histórico.

É, pelo visto vamos recorrer aos nobres oftalmologistas da cidade ou fazer zoada positiva para acordar nossos dirigentes da acomodação que nos atrasa.

Até quando será assim, com nossa postura de testemunhas da decadência improdutiva???!!!

O TEXTO DE RUI COELHO EXPLICANDO LISBOA; TEXTO EXTRAÍDO DO FACEBOOK

“A propósito dos 7 anos da Startup Lisboa e com um enorme agradecimento a todos os que, em 2009, votaram no nosso projecto de uma nova incubadora de empresas na Baixa, e a todos os que posteriormente apoiaram a sua implementação e desenvolvimento, aqui vai um pequeno artigo de 2018:

O Ecossistema Empreendedor em Portugal – tempo de trabalhar mais e melhor

Parabéns à CCI Luso-Française pelo trabalho desenvolvido em prol do desenvolvimento das relações económicas entre França e Portugal e muito obrigado pelo convite para redactor da Revista Aspectos, dedicada ao Ecossistema Empreendedor Português.

Agradecimentos aos convidados que tornaram possível esta revista, especialmente à Senhora Secretária de Estado da Indústria, Ana Lehmann, por nos honrar com a sua participação.

Aos leitores duas advertências:
a) O ecossistema português é um organismo vivo, em crescimento acelerado, e os seus actores não cabem numa revista. Há muitíssimos empreendedores (os grandes heróis desta história) e entidades que não estão aqui representados por falta de espaço.
b) Não sou especialista em empreendedorismo, apesar de ter tido o privilégio de frequentar uma formação executiva na Universidade Católica sobre o tema e de, por inerência de funções, ter apoiado muitos projectos de empreendedores desde 2009. Também participei no programa de aceleração Energia Portugal da Fábrica de Startups e, numa outra vida, desenvolvi dois micro projectos em que cometi todos os erros em primeira mão. Assim, apenas posso partilhar a minha experiência pessoal e espero que me desculpem o relato na primeira pessoa.

Em 2009, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) convidaram-me para criar a Invest Lisboa – algo entre um gabinete de apoio a investidores e uma agência de promoção económica. Mais tarde percebi que era uma espécie de Startup público-privada, possivelmente a única no mundo…

Explico: tratava-se de uma parceria entre as duas entidades, corporizada num departamento da CCIP, com duas pessoas, um orçamento reduzido (não são todos?) e o objectivo de mudar a cidade. Animados de espírito empreendedor, fomos à luta.

Começámos a apresentar a agência, a disponibilizar os nossos serviços e a pedir sugestões. Generosamente, o Pedro Macedo Leão (na altura o nosso ponto focal na AICEP e agora o competentíssimo delegado de Portugal na Polónia) e o Pedro Rocha Vieira e o André Marquet da beta-i.com (o André agora organiza a productized.co) sugeriram a criação de uma incubadora de empresas.

Depois de pensar no assunto e de constatar que as poucas incubadoras existentes estavam circunscritas às universidades e sem capacidade de receber novos projectos, decidimos avançar. Na altura, também estávamos preocupados com o estado de degradação da Baixa de Lisboa (até tínhamos algumas ideias brilhantes para a sua reabilitação) e aprendemos num congresso que as incubadoras devem ser instaladas no centro das cidades.

Assim, motivados por estas convicções, pedimos à CML para nos disponibilizar um imóvel na Baixa para instalarmos uma incubadora (recorreríamos a apoios privados para o reabilitar e equipar). A resposta foi de que não tinham nenhum imóvel disponível na Baixa.

Pela mesma altura, tomámos conhecimento do Orçamento Participativo de Lisboa. Elaborámos uma candidatura (muito simples) para a Nova Incubadora de Empresas de Lisboa (a instalar na Baixa para contribuir para a sua regeneração) e concorremos.

Fizemos uma campanha para angariar votos (note-se que muitas das pessoas a quem nos dirigíamos nem sabiam o que era uma incubadora… mais do que uma campanha, foi mesmo uma grande acção de formação). Quando a votação estava a acabar, o processo foi anulado por ter sido detectada uma fraude e tivemos de pedir votos a toda a gente outra vez….

Anunciados os resultados, o projecto foi um dos mais votados e ganhou um milhão de euros de financiamento.

Cabia então à CML a implementação e é justo reconhecer que o seu Presidente – António Costa (bem como a Vereadora Graça Fonseca) – contribuiu decisivamente, e desde a primeira hora, para o enorme sucesso do projecto.

Começou por convidar os Bancos (que tinham imóveis na Baixa) para parceiros em troca da disponibilização de instalações. E foi seguramente o seu prestígio que levou o Montepio Geral a oferecer o usufruto de um prédio na Rua da Prata para a instalação da incubadora. Posteriormente, foi convidado o IAPMEI e constituída uma associação. Fizeram-se os projectos e as obras de reabilitação e contratou-se o João Vasconcelos para Director Executivo.

A Startup Lisboa foi inaugurada em 2012 e não há dúvidas de que foi um elemento essencial para o arranque de tudo o que de fantástico aconteceu posteriormente na área do empreendedorismo, primeiro em Lisboa e depois um pouco por todo o país. Marcou o nascer de um novo ecossistema.

Também em 2012, lançámos o vídeo promocional Lisbon Startup City, com empreendedores de várias nacionalidades a dizerem maravilhas de Lisboa. Foi um estouro. No Expresso e sobre o vídeo, Henrique Raposo disse que os empreendedores estrangeiros “deixaram um recado na nuvem internética: “PIGS, my ass.””

Esta abertura ao exterior foi essencial para o sucesso do ecossistema e passado pouco tempo já nos orgulhávamos de dizer que cerca de 30% dos empreendedores incubados na Startup Lisboa eram estrangeiros.

Das primeiras incubadas, as plataformas uniplaces.com (alojamento estudantes), hole19golf.com (golf) e zaask.pt (profissionais de serviços), todas tinham estrangeiros na equipa de fundadores.

Em 2014, Lisboa é declarada Capital Europeia do Empreendedorismo e, na Web Summit (WS), é uma startup portuguesa (e da Startup Lisboa!!!), a codacy.com (plataforma para monitorizar a qualidade da programação), que vence a competição de Pitch.

Porque isto anda tudo ligado… como diz o Sérgio Godinho… acontece que nesse ano a WS se tinha defrontado com a falta de capacidade hoteleira e, mais grave, de wifi em Dublin e decide procurar outra cidade para poder crescer.

Ora, o Paddy Cosgrave (fundador da WS), ciente da qualidade das startups de Lisboa devido à vitória da Codacy, pressionado por milhares de mensagens do ecossistema de Lisboa (é também para fazer pressão que serve um ecossistema) e em resultado do apoio do Governo e das visitas do Paddy à cidade (argumentos decisivos), decide trazer a WS para Lisboa de 2016 a 2018, o que muito contribuiu para a afirmação internacional do Ecossistema de Português.

Entretanto, já o panorama tinha mudado muito e onde havia uma incubadora, passámos a ter um ecossistema em que incubadoras, aceleradoras, espaços de coworking e fab labs nasciam como cogumelos… em Lisboa e pelo país fora, com relevo para Braga e Porto.

Agora, mais do que celebrar, importa trabalhar mais e melhor. Há muito a fazer para criar mais e melhores empresas, mais e melhores empregos, mais riqueza e melhores condições de vida para todos. Surgem novos desafios todos os dias e é dos empreendedores, nas startups ou ao serviço de empresas ou de entidades públicas (e não dos conformistas), que podemos esperar ideias, energia e capacidade de realização para os ultrapassar.

E só um ecossistema em que a partilha de conhecimento e a colaboração de máxima qualidade sejam a prioridade (mais do que o betão ou o financiamento) permitirá potenciar os nossos escassos recursos e resolver da melhor forma os nossos problemas.

Que sorte, ainda há tanto para fazer!

Rui Coelho
Director Executivo Invest Lisboa

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