BCs do Mercosul não temem que crise afete Brasil - WSCOM

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Economia & Negócios

20/08/2005


BCs do Mercosul não temem

A exposição que o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, preparou para os colegas do Mercosul, Bolívia, Chile e Peru, com o objetivo de mostrar o “bom desempenho da economia brasileira”, não foi indispensável durante reunião entre os BCs da América Latina, ontem, no Chile. Os participantes, segundo relatou à Agência Estado o presidente do BC da Argentina, Martín Redrado, “entendem que a economia brasileira está forte para poder transitar durante a crise política no país”.

Segundo ele, “o que mais se falou no encontro foi sobre a fortaleza da economia do Brasil neste momento”. Indagado sobre se não havia temor de que a crise política pudesse afetar a economia e, conseqüentemente, contaminar a Argentina, Redrado respondeu que não. “Pelo contrário, penso que se a crise política atual estivesse ocorrendo em outro momento, teria arrastado a economia”, afirmou. “Os sinais são de que os fundamentos macroeconômicos são muito sólidos e isso é uma novidade para a economia da região, que sempre sofreu com as crises políticas”.

Apesar de o presidente do BC argentino não temer uma contaminação do Brasil, o mercado portenho acompanhou o ritmo do brasileiro, ao compasso das acusações de que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, recebia R$ 50 mil mensais de empreiteiras, quando era prefeito de Ribeirão Preto (SP). O dólar subiu dois centavos, fechando em 2,92 pesos para a venda e em 2,89 pesos para a compra. Os títulos públicos chegaram a cair 1,7% com o risco país registrando uma alta de 1,93%, fechando em 425 pontos básicos.

No entanto, Redrado insiste em que não motivos para preocupação, porque o comportamento da economia do Brasil “é um exemplo, uma mostra de que a situação está mudando nos países latinos, os quais estão fortalecendo suas economias”. Prova disso, disse, é o colchão de reservas internacionais que os BCs têm acumulado. “A melhor maneira de reduzir a vulnerabilidade externa é guardar em épocas de vacas gordas para usar em épocas de vacas magras”, afirmou referindo-se à estratégia dos BCs de aumentar suas reservas.

O BC argentino, por exemplo, iniciou a crise em dezembro de 2001 com as reservas em US$ 8 bilhões. Hoje, este valor saltou para US$ 25 bilhões e a meta é chegar em dezembro a US$ 30 bilhões. “Aumentar as reservas significa reduzir a vulnerabilidade para enfrentar os choques externos”, sintetizou.

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