Bancos dobram lucros no governo Lula - WSCOM

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Economia & Negócios

14/08/2005


Bancos dobram lucros no governo

Os três maiores bancos privados nacionais, Bradesco, Itaú e Unibanco, caminham este ano para mais do que duplicar os seus lucros desde o início do governo Lula. Segundo estimativas do CS First Boston (CSFB), o lucro conjunto dos 3 bancos deve atingir R$ 12,5 bilhões em 2005 (R$ 5,4 bilhões no Bradesco, R$ 5,3 bilhões no Itaú e R$ 1,86 bilhão no Unibanco).

Em 2002, último ano antes do governo Lula, a soma dos lucros do Bradesco, Itaú e Unibanco atingiu R$ 5,4 bilhões. Em termos nominais, o aumento será de 131%, caso a estimativa esteja correta. Descontando-se a inflação de 24% no período, isso significa 87% a mais de ganhos.

No primeiro semestre de 2005, os três grandes bancos privados, que divulgaram os balanços na semana passada, registraram lucro líquido de R$ 5,95 bilhões, com um aumento de 62,8% em relação ao mesmo período de 2004. O lucro líquido do Bradesco foi de R$ 2,6 bilhões, com crescimento de 109,7% em relação ao primeiro semestre de 2004; o Itaú lucrou R$ 2,47 bilhões, com avanço de 35,6%; e o Unibanco teve lucro líquido de R$ 854,2 milhões, crescendo 47,1%.

Segundo Carlos Daniel Coradi, diretor-presidente da Engenheiros Financeiros & Consultores (EFC), apesar do forte crescimento em crédito do Itaú e do Bradesco no primeiro semestre de 2005, não é esta a principal razão para o extraordinário lucro das duas instituições no período. “Os lucros são fruto de um cenário excelente, que combina crescimento com juro alto”, diz Coradi. No conjunto, o lucro dos três maiores bancos privados nacionais cresceu 62,8% no primeiro semestre de 2005.

Um dos fatores que contribuíram para o espetacular desempenho dos bancos no primeiro semestre foram as altíssimas taxas de juros. A Selic, o juro básico determinado pelo Banco Central, começou o ano em 17,75% e foi gradativamente aumentada, até chegar a 19,75% em junho, nível mantido até hoje. Em comparação, no primeiro semestre de 2004 a Selic caiu de 16,50% para 16%. Apesar da taxa de juro bem mais alta, o primeiro semestre de 2005 teve inflação de 3,16%, inferior à do mesmo período de 2004, que foi de 3,48%. O resultado é que a Selic real média da primeira metade de 2005 foi de aproximadamente 12%, superando a de 2004 em cerca de 3,5 pontos porcentuais.

Segundo os analistas, o alto juro real infla os ganhos dos bancos principalmente pela aplicação dos recursos próprios das instituições em títulos do governo, super-rentáveis e sem risco. Dados de Gustavo Pedreira, analista financeiro do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad), de Ribeirão Preto, mostram que o Bradesco registrou aumento de 10,3% nas receitas de tesouraria (aplicação de recursos próprios) no primeiro semestre de 2005, atingindo R$ 7,6 bilhões, um volume praticamente idêntico ao das receitas de crédito da instituição no mesmo período.

O Unibanco teve um aumento de 35,8% nas receitas de tesouraria na primeira metade de 2005, chegando a R$ 2,9 bilhões. O Itaú, porém, de acordo com os dados de Pedreira, teve uma queda de 41% nas receitas de tesouraria, saindo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2004 para R$ 2,55 bilhões em igual período de 2005. O próprio Itaú vem destacando a redução da importância da aplicação em títulos, já que o foco, como tem realçado o diretor executivo de Controladoria, Silvio de Carvalho, é a oferta de crédito. A carteira de crédito do Itaú, incluindo avais e fianças, teve uma expansão de 20,4% no primeiro semestre de 2005 em relação a igual período de 2004, atingindo R$ 58,6 bilhões. No segmento de pessoa física, a expansão foi de 65,6%.

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